Vacinação em Idosos com Artrite Reumatoide e Imunossupressão

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 68a, comparece em consulta e pede orientação sobre quais vacinas ela deve tomar para atualizar sua carteira. Está bem, sem queixas. Antecedentes pessoais: artrite reumatoide, dislipidemia, hipertensão arterial. Medicações de uso crônico: metotrexato, ácido folínico, enalapril, hidroclorotiazida, atorvastatina. Recebeu previamente cinco doses de vacina de COVID-19, vacina de febre amarela e reforça da DT. As vacinas que você deve indicar para esta paciente, considerando a disponibilidde no sus, são:

Alternativas

  1. A) Influenza anualmente; antipneumocócica 13 (e seis meses depois 23); herpes zoster; reforço COVID- 19, hepatite B.
  2. B) Influenza anualmente; reforço febre amarela; herpes zoster; hepatite A; hepatite B; reforço COVID- 19.
  3. C) Influenza anualmente; hepatite B; antipneumocócica 23 (dose única); tríplice bacteriana; herpes zoster; reforço COVID-19.
  4. D) Influenza anualmente; hepatite B; herpes zoster; tríplice viral; reforço COVID-19.

Pérola Clínica

Paciente em uso de metotrexato = imunossuprimido → Contraindica vacinas de vírus vivos; prioriza Pneumo 13/23 e Influenza.

Resumo-Chave

Pacientes com doenças reumáticas em imunossupressão requerem um esquema vacinal específico, priorizando a proteção contra patógenos encapsulados e evitando vacinas de agentes vivos atenuados devido ao risco de replicação viral descontrolada.

Contexto Educacional

A imunização em pacientes com doenças reumatológicas autoimunes é um pilar do cuidado preventivo, dado o risco aumentado de infecções oportunistas e graves. O uso de metotrexato (MTX) é um marcador de imunossupressão que exige consulta ao Calendário de Vacinação para Imunocomprometidos do PNI/CRIE. A prioridade deve ser a atualização contra Influenza (anual) e a proteção contra o pneumococo, devido à maior suscetibilidade a pneumonias bacterianas. Além disso, a triagem para Hepatite B é essencial, pois o início de terapias biológicas ou imunossupressão profunda pode levar à reativação viral. Vacinas inativadas, como a da Hepatite B, Influenza e COVID-19, são seguras e devem ser incentivadas, embora a resposta imune possa ser subótima. O momento ideal para vacinação é antes do início da imunossupressão, mas, se o paciente já estiver em tratamento, o esquema deve ser adaptado conforme a segurança das plataformas vacinais.

Perguntas Frequentes

Por que o metotrexato altera a indicação de vacinas?

O metotrexato, especialmente em doses utilizadas para Artrite Reumatoide, atua como um imunossupressor que interfere na replicação celular e na resposta imune adaptativa. Isso gera duas preocupações principais: a redução da eficácia das vacinas (menor soroconversão) e o risco de doença disseminada ao utilizar vacinas de vírus vivos atenuados. Pacientes em uso de doses consideradas imunossupressoras (geralmente >20 mg/semana ou >0,4 mg/kg/semana) não devem receber vacinas como Tríplice Viral, Varicela ou Febre Amarela sem uma avaliação rigorosa de risco-benefício e, idealmente, uma pausa na medicação, conforme orientação do especialista.

Qual o esquema da vacina pneumocócica para esses pacientes?

Para pacientes imunossuprimidos, o esquema recomendado envolve a vacinação sequencial. Inicia-se com a vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13), seguida pela vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) após um intervalo de 6 a 12 meses (mínimo de 2 meses em casos específicos). A VPP23 deve ter um reforço após 5 anos. Esse esquema visa ampliar a memória imunológica e a cobertura contra diferentes sorotipos de Streptococcus pneumoniae, que é uma causa importante de morbimortalidade em pacientes com doenças reumáticas e idosos.

A vacina de Herpes Zoster pode ser aplicada no SUS para este perfil?

Atualmente, a vacina de Herpes Zoster disponível no SUS é a vacina atenuada (vírus vivo), que é contraindicada para pacientes em imunossupressão significativa. Existe a vacina recombinante (Shingrix), que é segura para imunossuprimidos por não conter vírus vivo, porém sua disponibilidade no sistema público ainda é restrita ou inexistente em muitas regiões, sendo encontrada principalmente na rede privada. Portanto, para a paciente do caso, a indicação de Herpes Zoster deve considerar o tipo de vacina disponível e o grau de imunossupressão atual.

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