Vacinação em Crianças Imunocomprometidas: Guia Essencial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

A mãe de uma criança com 6 anos procurou a unidade básica de saúde (UBS) para atualizar o cartão de vacina de seu filho. A criança é portadora de nefropatia crônica e está em uso de corticoide oral em dose > 3 mg/kg/dia. Na UBS, a mãe relata que perdeu o cartão vacinal do filho. Observando-se a criança, nota-se que não possui cicatriz de BCG visível em músculo deltoide direito.Considerando-se a situação apresentada, com relação à vacinação dessa criança, nesse momento, deve-se

Alternativas

  1. A) aplicar todas as vacinas indicadas para a idade.
  2. B) aplicar as vacinas tríplice bacteriana e hepatite b.
  3. C) aplicar as vacinas tetraviral e influenza.
  4. D) aplicar a vacina BCG e hepatite b. 

Pérola Clínica

Criança imunocomprometida (corticoide) → vacinas vivas contraindicadas; priorizar inativadas e atualizar esquema.

Resumo-Chave

Crianças em uso de corticoide em dose imunossupressora (> 2 mg/kg/dia ou > 20 mg/dia por > 14 dias) não podem receber vacinas de vírus vivos atenuados. Nesses casos, deve-se priorizar as vacinas inativadas e, na ausência de cartão, considerar o esquema de resgate para a idade, excluindo as contraindicadas.

Contexto Educacional

A vacinação em crianças imunocomprometidas, como aquelas com nefropatia crônica em uso de corticoides em dose imunossupressora, exige atenção especial para garantir a proteção contra doenças infecciosas sem causar eventos adversos graves. A imunossupressão compromete a capacidade do sistema imune de responder adequadamente às vacinas, especialmente as de vírus ou bactérias vivas atenuadas, que podem causar doença disseminada nesses pacientes. É fundamental que residentes compreendam as contraindicações e as recomendações específicas para essa população. A dose de corticoide considerada imunossupressora geralmente é > 2 mg/kg/dia ou > 20 mg/dia de prednisona (ou equivalente) por mais de 14 dias. Nesses casos, vacinas vivas atenuadas (BCG, tríplice viral, varicela, rotavírus, febre amarela) são contraindicadas. As vacinas inativadas (como DTP, Haemophilus influenzae b, hepatite B, pneumocócica, meningocócica, influenza) são seguras, mas a resposta imune pode ser subótima, exigindo doses adicionais ou monitoramento. A ausência de cicatriz de BCG não indica necessariamente a necessidade de revacinação em imunocomprometidos, pois a contraindicação da vacina viva é prioritária. A conduta para uma criança imunocomprometida com cartão vacinal perdido e sem cicatriz de BCG envolve a atualização do esquema vacinal com vacinas inativadas, seguindo as recomendações de resgate para a idade, e a contraindicação formal das vacinas vivas atenuadas. É crucial avaliar o grau e a duração da imunossupressão antes de qualquer administração de vacina. O acompanhamento com um especialista em imunizações ou nefrologista pediátrico é recomendado para otimizar o plano vacinal e garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais vacinas são contraindicadas para crianças em uso de corticoide imunossupressor?

Crianças em uso de corticoide em dose imunossupressora não devem receber vacinas de vírus vivos atenuados, como BCG, tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), varicela e rotavírus, devido ao risco de infecção disseminada.

Qual a conduta vacinal para uma criança imunocomprometida com cartão de vacina perdido?

Na ausência do cartão vacinal, deve-se considerar a criança como não vacinada e iniciar um esquema de resgate conforme a idade, priorizando as vacinas inativadas e contraindicando as vacinas de vírus vivos atenuados até a melhora da imunossupressão.

Por que a vacina BCG é contraindicada em imunocomprometidos?

A vacina BCG é uma vacina de bactéria viva atenuada. Em pacientes imunocomprometidos, a aplicação da BCG pode levar a uma infecção disseminada por Mycobacterium bovis, causando doença grave e potencialmente fatal.

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