Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Paciente de 62 anos, sexo masculino, assintomático, procura o ambulatório de clínica médica; é portador de hipertensão arterial bem controlada com dupla associação anti-hipertensiva, obesidade grau 1, com história patológica pregressa de internação por pneumonia aos 57 anos, cirurgia de apendicectomia com 12 anos, e teve doenças virais na infância, como varicela, caxumba, mononucleose infecciosa e citomegalovirose. Qual vacina está indicada para o paciente?
Idosos ≥ 60 anos → Vacina Herpes-Zóster indicada, independentemente de história prévia de varicela.
A vacinação contra Herpes-Zóster é recomendada para idosos para prevenir a reativação do vírus VZV e reduzir o risco de neuralgia pós-herpética, uma complicação debilitante.
O envelhecimento populacional traz o desafio de manter o calendário vacinal atualizado para prevenir doenças imunopreveníveis que impactam a qualidade de vida. O Herpes-Zóster manifesta-se como vesículas dolorosas em dermátomos e sua incidência dobra a cada década após os 50 anos. A complicação mais temida é a neuralgia pós-herpética, que pode causar dor neuropática intensa por meses ou anos. No contexto do paciente hipertenso e obeso de 62 anos, a imunização é fundamental. Além da vacina contra Herpes-Zóster, o médico deve verificar o status vacinal para Influenza (anual), Pneumocócicas (VPC13 e VPP23), Tétano/Difteria (dT) e Hepatite B. A vacina recombinante contra o zóster é segura e altamente eficaz, representando um avanço significativo na medicina preventiva geriátrica.
O Herpes-Zóster é causado pela reativação do vírus Varicela-Zóster (VZV) que permanece latente nos gânglios nervosos após a infecção primária (varicela). Com o envelhecimento e a queda da imunidade celular (imunossenescência), o risco de reativação aumenta significativamente. A vacina estimula a resposta imune específica para manter o vírus sob controle, prevenindo não apenas a erupção cutânea, mas principalmente a neuralgia pós-herpética, que é a dor crônica persistente após a resolução das lesões.
Atualmente, a vacina preferencial é a vacina recombinante inativada (Shingrix), administrada em duas doses. Ela demonstrou eficácia superior a 90% em idosos e pode ser utilizada inclusive em pacientes imunossuprimidos, diferentemente da vacina de vírus vivos atenuados (Zostavax), que está em desuso e era contraindicada para imunocomprometidos. A recomendação da SBIm e da SBP é o uso da vacina recombinante para adultos acima de 50 anos e imunossuprimidos acima de 18 anos.
Não existe vacina disponível contra a Hepatite C. Quanto à poliomielite, a vacinação de rotina não é indicada para adultos assintomáticos no Brasil, a menos que haja exposição ocupacional específica ou viagem para áreas de risco. Já a vacina HPV é indicada rotineiramente até os 45 anos em situações específicas, não sendo a prioridade para um paciente de 62 anos sem fatores de risco adicionais, tornando a vacina contra Herpes-Zóster a escolha correta.
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