HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Mulher, 18 anos de idade, primigesta, idade gestacional = 10 semanas pela amenorreia, compatível com ecografia de 8 semanas. Comparece à consulta de pré-natal com exames de primeira rotina: Tipagem sanguínea O negativo, Coombs indireto negativo, Hb = 10 g/dL, Hematócrito = 32%, glicemia de jejum = 92 mg/dL, HbsAg negativo, Anti-Hbs negativo, HIV negativo, VDRL negativo. A gestante deve realizar agora as seguintes vacinas:
Gestante Anti-HBs neg → Vacina Hep B (qualquer IG) + Influenza (qualquer IG).
A vacinação contra Hepatite B é recomendada para todas as gestantes suscetíveis (Anti-HBs negativo) em qualquer idade gestacional. A vacina contra Influenza é obrigatória anualmente para gestantes em qualquer trimestre devido ao alto risco de complicações respiratórias.
A imunização durante o pré-natal é um pilar fundamental da assistência obstétrica, visando não apenas a saúde da mulher, mas também a proteção neonatal através da transferência transplacentária de anticorpos. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda a vacinação sistemática contra Influenza e Hepatite B em qualquer idade gestacional para mulheres suscetíveis. A vacina dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de gestação para prevenir a coqueluche neonatal. No caso clínico apresentado, a paciente é primigesta de 10 semanas com sorologia negativa para Hepatite B (Anti-HBs negativo), o que indica a necessidade imediata de iniciar o esquema vacinal. Simultaneamente, a vacina contra Influenza deve ser administrada independentemente da idade gestacional, conforme as campanhas anuais. Vacinas como Sarampo, Caxumba e Varicela utilizam vírus vivos e são proscritas no período gestacional pelo risco de teratogenia ou infecção fetal.
Durante a gestação, as vacinas compostas por agentes infecciosos vivos atenuados são estritamente contraindicadas devido ao risco teórico de transmissão do agente ao feto. Isso inclui as vacinas contra Sarampo, Caxumba, Rubéola (Tríplice Viral), Varicela, Febre Amarela (salvo situações de alto risco epidemiológico onde o benefício supera o risco) e a vacina oral contra poliomielite (VOP). O foco deve ser em vacinas de vírus inativados, toxoides ou subunidades, como Influenza, Hepatite B e a dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular), que são seguras e essenciais para a proteção materno-fetal.
O esquema vacinal contra a Hepatite B deve ser iniciado ou completado em qualquer idade gestacional assim que a suscetibilidade for identificada (HBsAg negativo e Anti-HBs negativo). O esquema padrão consiste em três doses (0, 1 e 6 meses). Não há evidências de efeitos adversos para o feto, e a imunização é crucial para prevenir a transmissão vertical, que ocorre principalmente durante o parto. Se a gestante já possui esquema completo documentado e Anti-HBs positivo, não há necessidade de reforço durante a gravidez.
As gestantes são consideradas grupo de alto risco para complicações graves decorrentes da infecção pelo vírus Influenza, incluindo pneumonia, insuficiência respiratória e óbito materno, além de desfechos obstétricos desfavoráveis como parto prematuro e baixo peso ao nascer. A vacinação pode ser realizada em qualquer trimestre da gravidez e durante o puerpério (até 45 dias). Além da proteção materna, a transferência transplacentária de anticorpos confere imunidade passiva ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, período em que ele ainda não pode ser vacinado diretamente.
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