SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma gestante de 26 anos de idade, IG de nove semanas, G2P1A0, retorna à UBS para consulta de pré-natal. Apresenta queixa de azia, constipação e desconforto esporádico em quadrante superior direito do abdome. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, abdome indolor, útero impalpável e BCF inaudíveis, Frequência cardíaca = 90 bpm, frequência respiratória = 17 ipm, SatO₂ = 98% em ar ambiente. Leva calendário vacinal com esquema completo para hepatite B e três doses da dupla adulto (dT), realizadas na última gestação, há três anos. Entre os exames complementares, destacam-se os seguintes resultados: EQU sem particularidades; e urocultura - crescimento de Streptococcus do grupo B > 100.000 UFC/mL. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Apesar de haver esquema vacinal com três doses da vacina dupla adulto (dT), a gestante deverá receber uma dose da tríplice bacteriana (dTpa) após a vigésima semana da atual gestação.
dTpa é obrigatória em TODA gestação após 20ª sem, independente do histórico vacinal prévio.
A vacina dTpa visa a transferência transplacentária de anticorpos contra coqueluche para o feto. A presença de GBS na urocultura indica colonização e necessidade de profilaxia intraparto.
A imunização materna é um pilar do pré-natal, focando na redução da morbimortalidade neonatal. A vacina dTpa deve ser administrada preferencialmente entre a 20ª e 36ª semana de gestação para otimizar a transferência de anticorpos. Paralelamente, o rastreio de infecções urinárias é vital. A detecção de Streptococcus agalactiae (GBS) na urina, mesmo em baixas contagens, é um marcador de alto risco para transmissão vertical, exigindo protocolos específicos de profilaxia durante o trabalho de parto para evitar a sepse neonatal.
A vacinação com dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) é recomendada a partir da 20ª semana de cada gestação, independentemente do intervalo entre as gravidezes ou do histórico vacinal prévio. O objetivo primordial não é apenas a proteção materna, mas sim a transferência passiva de altos títulos de anticorpos IgG anti-pertussis através da placenta para o feto. Isso garante proteção imunológica ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade para complicações graves e óbito por coqueluche, antes que o lactente complete seu próprio esquema vacinal primário.
A presença de Streptococcus agalactiae (GBS) em qualquer contagem de colônias na urocultura durante a gestação é considerada evidência de colonização vaginal/retal intensa. Nestes casos, a paciente é automaticamente classificada como candidata à profilaxia antibiótica intraparto para prevenção de sepse neonatal precoce por GBS, dispensando a realização do swab vaginal/anal entre 35 e 37 semanas. Além disso, se a contagem for ≥ 100.000 UFC/mL, caracteriza-se bacteriúria assintomática, exigindo tratamento imediato com antibióticos para prevenir pielonefrite e prematuridade.
Se a gestante nunca foi vacinada ou tem esquema incompleto, deve-se completar o esquema de três doses. O esquema deve incluir pelo menos uma dose de dTpa (após a 20ª semana) e as demais doses com dT. Por exemplo, se ela nunca vacinou, faz-se dT no primeiro contato, dT após 30-60 dias e dTpa após a 20ª semana (respeitando o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses). O importante é garantir que a dose de dTpa seja administrada para a proteção do neonato contra a coqueluche.
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