SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Zion, 8 anos, vem em consulta médica acompanhado de seu pai, Roberto. Ele refere que seu filho está sempre doente e gostaria de uma avaliação do seu estado de saúde. A criança é portadora de asma, faz uso contínuo de beclometasona inalatória em altas doses, 250 microgramas/dose, a cada 12 horas, como terapia de manutenção. Na última semana, teve episódio de agudização por quadro de infecção de via aérea superior, sendo necessário uso de corticosteroide oral por 5 dias, na dose de 1mg/kg/dia. Hoje, é o último dia de tratamento e não há sinais ou sintomas de doença aguda ou descompensação da asma. Zion está pesando 28kg e com altura de 130 cm. Ao final da sua avaliação você nota que há 1 dose de vacina atrasada de difteria, tétano, pertússis (DTP), e ausência da tetraviral. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada nesse caso.
Uso de corticoide inalatório em altas doses ou oral por <14 dias NÃO contraindica vacinas vivas; corticoide oral por 5 dias na dose de 1mg/kg/dia também NÃO contraindica.
A contraindicação para vacinas vivas atenuadas devido ao uso de corticosteroides é geralmente reservada para doses imunossupressoras sistêmicas por tempo prolongado (>14 dias) ou doses muito elevadas. O uso de corticosteroide inalatório, mesmo em altas doses, não é considerado imunossupressor sistêmico o suficiente para contraindicar vacinas vivas. O corticoide oral por 5 dias na dose de 1mg/kg/dia também não atinge o limiar de imunossupressão para contraindicar.
A vacinação é um pilar fundamental da saúde pública, e a compreensão das suas contraindicações, especialmente em populações especiais como crianças com doenças crônicas e em uso de medicamentos, é crucial para residentes. A asma é uma condição comum na infância, e o tratamento com corticosteroides é frequente, levantando dúvidas sobre a segurança das vacinas. É vital diferenciar entre os tipos e doses de corticosteroides e seu impacto na resposta imune. Os corticosteroides inalatórios, mesmo em altas doses, têm ação predominantemente local e mínima absorção sistêmica, não causando imunossupressão significativa que justifique a contraindicação de vacinas vivas atenuadas. Da mesma forma, o uso de corticosteroides orais por curtos períodos (menos de 14 dias) ou em doses não imunossupressoras (geralmente < 2 mg/kg/dia ou < 20 mg/dia para crianças maiores) não impede a vacinação com vacinas vivas. A avaliação deve ser individualizada, mas a regra geral é que a maioria das crianças asmáticas pode e deve ter seu calendário vacinal atualizado. Neste caso, a criança em uso de beclometasona inalatória em altas doses e que finalizou um ciclo curto de corticoide oral não apresenta contraindicação para as vacinas vivas (tríplice viral e varicela). A vacina DTP (difteria, tétano, pertússis) é uma vacina inativada e, portanto, não é afetada pelo estado de imunossupressão. A atualização do calendário vacinal deve ser feita conforme a idade e as doses em atraso, utilizando dT para maiores de 7 anos se a DTP estiver atrasada.
As principais contraindicações para vacinas vivas atenuadas incluem imunodeficiências primárias ou secundárias graves, gravidez, e uso de doses imunossupressoras de corticosteroides sistêmicos por tempo prolongado.
Não, o uso de corticosteroides inalatórios, mesmo em altas doses, geralmente não é considerado imunossupressor o suficiente para contraindicar a aplicação de vacinas vivas atenuadas.
A contraindicação para vacinas vivas atenuadas ocorre com o uso de corticosteroides orais em doses de 2 mg/kg/dia ou 20 mg/dia (para pacientes >10 kg) por mais de 14 dias. Doses menores ou por períodos mais curtos geralmente não contraindicam.
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