SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma paciente de 12 anos de idade vai a consulta agendada em Unidade de Saúde da Família acompanhada pela mãe. A familiar demonstra preocupações quanto ao desenvolvimento da filha, alegando ser esta uma das mais baixas entre as respectivas colegas e que ainda não teve a primeira menstruação, a despeito de estar notando desenvolvimento das mamas há 10 meses, observando-se a presença de broto mamário ao exame físico. Refere-se, também, que a mãe está receosa de a filha vir a ser diagnosticada com síndrome dos ovários policísticos (SOP), tendo base tal preocupação em leitura de informações da internet em correlação com o fato de a filha apresentar acne facial, de ainda nunca ter menstruado e de possuir histórico familiar de primeiro grau de obesidade e diabetes mellitus tipo 2. Faz uso de metilfenidato 10 mg/dia por diagnóstico prévio de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, demonstrando manter atenção apenas para atividades do próprio interesse, sem, no entanto, apresentar histórico de baixo desempenho escolar ou prejuízo da vida social. Em avaliação ponderoestatural, verifica-se IMC de 21 kg/m², considerado adequado para a idade da paciente. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. A paciente possui indicação para prevenção primária para infecção por HPV mediante vacinação.
Vacina HPV (quadrivalente) → Indicada para meninos e meninas de 9 a 14 anos em dose única no SUS.
A vacinação contra o HPV é uma estratégia de prevenção primária essencial, devendo ser administrada idealmente antes do início da vida sexual para garantir máxima eficácia imunogênica.
A vacina quadrivalente distribuída no Brasil protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero, enquanto os tipos 6 e 11 causam a maioria das verrugas genitais. A eficácia da vacina é significativamente maior quando administrada em indivíduos que ainda não foram expostos ao vírus. Recentemente, evidências robustas demonstraram que uma única dose oferece proteção comparável a esquemas de duas ou três doses em indivíduos imunocompetentes até os 20 anos. Esta mudança estratégica no Programa Nacional de Imunizações (PNI) busca otimizar recursos e facilitar o cumprimento do calendário vacinal, combatendo a queda nas taxas de cobertura observadas nos últimos anos.
Atualmente, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda a vacinação contra o HPV para meninas e meninos na faixa etária de 9 a 14 anos. Desde 2024, o esquema foi simplificado para uma dose única, visando aumentar a adesão e a cobertura vacinal em todo o território nacional.
A vacinação é classificada como prevenção primária, pois atua antes da infecção pelo vírus e do surgimento de qualquer lesão precursora. Diferente do Papanicolau, que é prevenção secundária (rastreio), a vacina impede a colonização pelos subtipos oncogênicos mais comuns.
Sim. A indicação da vacina HPV é baseada na faixa etária cronológica (9 a 14 anos) e não no estágio de maturação sexual ou ocorrência da menarca. O objetivo é imunizar o indivíduo antes do primeiro contato sexual, independentemente do desenvolvimento puberal.
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