INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Adolescente, 16 anos de idade, vai à consulta ginecológica buscando orientação. Relata estar namorando há três meses, nunca teve atividade sexual, mas pretende começar a ter relações com o namorado em alguns meses. Considerando a literatura mais recente, qual medida teria maior impacto na prevenção das lesões induzidas pelo papilomavírus humano para a paciente em ques- tão, incluindo o câncer de colo uterino?
Vacinação contra HPV = medida de maior impacto na prevenção primária de lesões e câncer.
A vacinação é a estratégia de prevenção primária mais eficaz, reduzindo drasticamente a incidência de lesões de alto grau e câncer cervical antes da exposição ao vírus.
A infecção pelo HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, sendo o principal agente etiológico do câncer de colo uterino. A estratégia mais eficaz para reduzir a carga dessa doença é a vacinação profilática, idealmente administrada antes do início da vida sexual, quando a resposta imunológica é mais robusta e o risco de exposição prévia é nulo. Estudos populacionais em países com alta cobertura vacinal demonstraram uma redução superior a 90% na prevalência dos tipos de HPV contidos na vacina e uma queda significativa nas lesões intraepiteliais de alto grau (NIC 2 e NIC 3). Para o médico residente, é fundamental reforçar a vacinação em todas as oportunidades de consulta, combatendo a hesitação vacinal com dados de segurança e eficácia.
A vacinação é uma medida de prevenção primária, agindo antes que a infecção ocorra, enquanto o exame citopatológico (Papanicolau) é prevenção secundária, visando detectar lesões já existentes. Em uma adolescente de 16 anos que ainda não iniciou atividade sexual, a vacina oferece proteção máxima contra os tipos oncogênicos mais comuns (16 e 18), prevenindo a formação de lesões precursoras. Além disso, as diretrizes brasileiras recomendam o início do rastreamento citopatológico apenas aos 25 anos.
Atualmente, o Ministério da Saúde do Brasil adotou o esquema de dose única para a vacina quadrivalente contra o HPV para meninos e meninas de 9 a 14 anos. Para pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos na faixa de 9 a 45 anos, o esquema permanece em três doses (0, 2 e 6 meses). A vacina protege contra os tipos 6, 11 (verrugas genitais) e 16, 18 (alto risco oncogênico).
Não há evidências de que a peniscopia no parceiro assintomático reduza a incidência de câncer de colo uterino na mulher. A peniscopia não é um exame de rastreamento e possui baixa especificidade, podendo levar a tratamentos desnecessários. O foco deve ser sempre a imunização e, futuramente, o rastreamento citopatológico da paciente.
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