UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
A conduta correta em relação ao aumento de casos de coqueluche no Brasil consiste em
Prevenção da coqueluche = Vacinação infantil (Penta/DTP) + reforço em gestantes e profissionais de saúde (dTpa) para proteger lactentes (estratégia cocoon).
O controle eficaz da coqueluche exige uma abordagem ampla que vai além da vacinação infantil. A vacinação de gestantes com a dTpa é uma estratégia crucial para a transferência de anticorpos passivos ao feto, protegendo-o nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade e gravidade da doença.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença infecciosa aguda e altamente transmissível do trato respiratório. Embora possa afetar pessoas de qualquer idade, sua maior gravidade ocorre em lactentes menores de 6 meses, que podem evoluir com apneia, pneumonia, convulsões e óbito. O ressurgimento da doença em vários países, inclusive no Brasil, evidencia a importância da manutenção de altas coberturas vacinais e da adoção de estratégias complementares. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil estabelece um robusto esquema de vacinação. A imunização primária ocorre com três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, seguida por dois reforços com a DTP aos 15 meses e 4 anos. Essa estratégia visa proteger a criança durante o período de maior risco de complicações. Contudo, a imunidade conferida pela vacina não é permanente, diminuindo ao longo dos anos. Por isso, para proteger os lactentes que ainda não completaram o esquema vacinal, foi implementada a vacinação com a dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) para gestantes, puérperas, e profissionais de saúde. A vacinação da gestante é particularmente eficaz, pois promove a transferência de anticorpos IgG maternos pela placenta, garantindo proteção passiva ao recém-nascido.
A coqueluche classicamente se apresenta em três fases: 1) Fase catarral (1-2 semanas), com sintomas inespecíficos de resfriado; 2) Fase paroxística (2-6 semanas), com acessos de tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse; 3) Fase de convalescença (semanas a meses), com melhora gradual da tosse.
O esquema primário é feito com a vacina pentavalente (DTP + Hib + HepB) aos 2, 4 e 6 meses de vida. Os reforços são realizados com a vacina DTP (tríplice bacteriana) aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
Gestantes devem receber a dTpa a cada gestação para produzir anticorpos que são transferidos ao feto, protegendo-o nos primeiros meses. Profissionais de saúde e outros contactantes de recém-nascidos devem se vacinar para reduzir o risco de transmissão para essa população vulnerável, na chamada 'estratégia cocoon'.
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