Indicações da Vacina Influenza na Insuficiência Cardíaca

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de setenta e dois anos de idade, com antecedente de hipertensão arterial há vários anos, compareceu ao ambulatório relatando dispneia decorrente de esforços maiores que os habituais, como subir escadas ou andar apressadamente. O paciente relatou, ainda, o uso irregular de um anti-hipertensivo prescrito (clortalidona). No exame físico, o idoso apresentou-se normocorado, com extremidades quentes, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 154 mmHg × 72 mmHg, turgência jugular a 30.º, ausculta pulmonar normal, ictus cordis propulsivo no 6.º espaço intercostal esquerdo da linha axilar anterior, ritmo cardíaco em galope (terceira bulha) e sem sopros. Adicionalmente, notou-se refluxo hepatojugular e edema perimaleolar bilateral. Os exames laboratoriais revelaram sódio de 144 mEq/L; potássio de 5,4 mEq/L; creatinina de 3,2 mg/dL; hemoglobina de 10,4 g/dL; e hematócrito de 31%. Os demais exames bioquímicos e a função tireoidiana estavam normais. O ecocardiograma revelou fração de ejeção de 36%.Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o item que se segue.De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina anti-influenza é indicada para o paciente em questão.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Idosos e portadores de doenças crônicas (IC, DRC) têm indicação formal para vacina anti-influenza anual.

Resumo-Chave

A vacinação contra influenza reduz hospitalizações e mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca e doença renal crônica, sendo pilar da prevenção secundária.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) e a doença renal crônica (DRC) são condições que colocam o paciente em alto risco para complicações infecciosas. O vírus influenza atua como um gatilho inflamatório sistêmico que pode descompensar a hemodinâmica cardíaca, aumentando a demanda metabólica e favorecendo a ruptura de placas ateroscleróticas. As diretrizes brasileiras e internacionais são unânimes em recomendar a vacinação anual contra influenza para todos os indivíduos com 60 anos ou mais e para portadores de doenças crônicas. No caso clínico, o paciente apresenta múltiplos critérios: idade avançada, hipertensão, ICFER (FE 36%) e provável DRC estágio 4 (Creatinina 3,2). A vacinação é uma medida de saúde pública essencial para reduzir a carga de doença e evitar internações evitáveis.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com IC devem receber a vacina da gripe?

Pacientes com insuficiência cardíaca (IC) apresentam maior risco de complicações graves decorrentes da infecção pelo vírus influenza, incluindo descompensação da IC, pneumonia bacteriana secundária e eventos isquêmicos agudos. A vacinação anual demonstrou reduzir significativamente as taxas de hospitalização por causas cardiovasculares e a mortalidade global nesta população, sendo considerada uma intervenção de alta relação custo-benefício.

Quais outras vacinas são indicadas para este paciente?

Além da influenza anual, este paciente de 72 anos com IC e DRC deve receber a vacina pneumocócica (VPC13 e VPP23) para prevenção de pneumonia e doença pneumocócica invasiva. Também são indicadas a vacina contra Hepatite B (devido à DRC), a vacina contra Herpes Zoster (pela idade) e o reforço de Dupla Adulta (difteria e tétano). A vacinação contra COVID-19 também é prioritária conforme os protocolos vigentes.

A insuficiência renal crônica altera a indicação vacinal?

Sim, a presença de insuficiência renal crônica (evidenciada pela creatinina de 3,2 mg/dL) reforça a necessidade de imunização. Pacientes com DRC são considerados imunocomprometidos funcionais e têm maior risco de infecções graves. O Ministério da Saúde, através do CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais), disponibiliza calendários específicos para esses pacientes, garantindo proteção contra patógenos respiratórios que poderiam agravar a função renal e cardíaca.

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