PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024
Em uma comunidade do interior do Brasil, o número de casos de sarampo em crianças vem aumentando. Embora os casos sejam de natureza leve, a situação gerou preocupação entre os profissionais de saúde da região. Uma avaliação preliminar revelou que a cobertura vacinal contra o sarampo na comunidade é de 85%. Muitos pais, influenciados por informações incorretas e mitos sobre vacinação, optaram por não vacinar seus filhos.Os pais de uma criança decidiram não vaciná-la pois a mesma, uma vez, apresentou urticária após comer ovo. Quanto a essa decisão, a posição médica deve ser:
Alergia a ovo (mesmo anafilaxia) ≠ Contraindicação para vacina tríplice viral (SCR).
A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola contém quantidades ínfimas de proteína de ovo, sendo segura para administração em alérgicos sem necessidade de protocolos especiais na maioria dos casos.
A hesitação vacinal baseada em mitos sobre alergia alimentar é um desafio para a saúde pública. A vacina tríplice viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) é frequentemente alvo desse equívoco. Embora o vírus seja cultivado em células de embrião de galinha, o processo de purificação elimina quase toda a proteína do ovo, tornando a reação alérgica mediada por IgE extremamente improvável. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Programa Nacional de Imunizações (PNI) são claras: a alergia ao ovo, independentemente da gravidade, não é contraindicação para a vacina SCR. O médico deve tranquilizar os pais e garantir a imunização, especialmente em cenários de surtos ou baixa cobertura vacinal, onde o risco da doença supera amplamente o risco teórico de uma reação vacinal.
Sim, crianças com história de anafilaxia ao ovo podem e devem receber a vacina tríplice viral (SCR). Estudos mostram que a quantidade de proteína de ovo presente na vacina é insuficiente para desencadear reações alérgicas graves na imensa maioria dos pacientes. A recomendação atual é que a vacina seja aplicada em ambiente com suporte para atendimento de emergência, como qualquer outra vacina, mas sem a necessidade de protocolos de dessensibilização ou fracionamento de doses.
A vacina contra o sarampo e a caxumba é cultivada em culturas de fibroblastos de embrião de galinha, e não diretamente no ovo. Isso resulta em uma concentração extremamente baixa de proteínas do ovo (como a ovalbumina) no produto final, ao contrário da vacina da gripe (influenza) ou da febre amarela, que possuem concentrações maiores por serem produzidas em ovos embrionados de galinha.
As vacinas que exigem maior cautela em pacientes com alergia grave ao ovo são a vacina da Influenza e a da Febre Amarela. Para a Influenza, a maioria dos alérgicos pode receber a vacina sem problemas, mas casos de anafilaxia grave devem ser vacinados em ambiente médico. Para a Febre Amarela, se a alergia for grave, pode ser necessário realizar um teste cutâneo com a própria vacina ou seguir um protocolo de dessensibilização, dependendo do risco epidemiológico.
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