Vacinas Poliomielite PNI: VIP, VOP e Esquema Atual

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

No dia 05 de outubro de 2022, a Secretaria de Saúde do Pará divulgou um comunicado acerca de um caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) em uma criança de 3 anos de idade, residente no interior do estado. O caso teria ocorrido após a administração da Vacina Oral Poliomielite (VOP), com identificação do vírus vacinal nas fezes do paciente. Diante do caso amplamente divulgado pelos meios de comunicação brasileiros associado à queda da cobertura vacinal para a poliomielite em diversas regiões, analise as afirmativas abaixo sobre as vacinas disponíveis no Programa Nacional de Imunizações (PNI) 2022 contra a referida doença, assinalando-as em verdadeira (V) ou falsa (F) e indicando o item com a ordem correta: (   ) No Brasil, a Vacina Oral Poliomielite (VOP) tem sido utilizada rotineiramente desde 1962. Entretanto, altas coberturas vacinais só foram obtidas a partir de 1980, quando foram instituídos os Dias Nacionais de Vacinação. Desde 2012, o país optou por iniciar o esquema com a Vacina Inativa Poliomielite (VIP), sendo atualmente administrada aos dois e quatro meses com intervalo de 60 dias, completando o esquema de vacinação com a vacina VOP. (   ) A VIP é trivalente e contém os vírus da poliomielite dos tipos 1, 2, e 3, obtidos em cultura celular e inativados por formaldeído. O PNI recomenda a vacinação de crianças a partir de 2 meses até menores de 5 anos de idade, como doses do esquema básico. (   ) A vacina inativa atual é de alta potência, sendo eficaz e segura e não provocando poliomielite vacinal. Por estimular baixa imunidade intestinal (imunidade de mucosa), não impede a circulação do vírus selvagem por via intestinal, não protegendo os comunicantes dos vacinados. (   ) A VIP induz níveis adequados de anticorpos séricos, comparáveis aos induzidos pela VOP, em pessoas assintomáticas infectadas pelo HIV. Há evidências, contudo, de que o risco de poliomielite associada à vacina seja maior em pessoas que vivem com HIV/aids; sendo assim, indica-se a vacina inativada em todo o esquema no lugar da vacina atenuada para esses pacientes. (   ) A vacina VIP é administrada por via intramuscular. A via subcutânea também pode ser usada, mas em situações especiais (casos de discrasias sanguíneas). É contraindicação à VIP a reação grave à dose anterior ou a anafilaxia a algum componente da vacina, embora sejam raros os casos.

Alternativas

  1. A) V - V - F - V - F
  2. B) F - V - V - F - V
  3. C) F - F - V - F - V
  4. D) F - V - F - V - V

Pérola Clínica

VIP não causa PFA, mas VOP pode; VIP é trivalente e induz imunidade sistêmica, VOP intestinal.

Resumo-Chave

O esquema de vacinação contra poliomielite no Brasil inicia com VIP (inativada) para as primeiras doses, seguida de VOP (oral atenuada) para reforços. A VIP não causa poliomielite vacinal e é segura para imunodeprimidos, enquanto a VOP, por ser vírus vivo atenuado, pode causar PFA em raros casos.

Contexto Educacional

A poliomielite é uma doença infecciosa grave causada pelo poliovírus, que pode levar à paralisia flácida aguda. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil tem sido fundamental na erradicação da poliomielite selvagem, utilizando uma combinação de vacinas para garantir a proteção individual e coletiva. A compreensão das características de cada vacina é vital para a prática clínica. No Brasil, o esquema vacinal contra poliomielite evoluiu. Atualmente, as primeiras doses (2 e 4 meses) são administradas com a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), que é trivalente e contém vírus inativados, não causando a doença. Os reforços (6 meses, 15 meses e 4 anos) são feitos com a Vacina Oral Poliomielite (VOP), que contém vírus vivos atenuados. A VIP induz forte imunidade sistêmica, enquanto a VOP, além da sistêmica, confere imunidade de mucosa intestinal, importante para a interrupção da transmissão viral. A Paralisia Flácida Aguda (PFA) associada à vacina é uma complicação rara da VOP, devido à reversão da virulência do vírus atenuado. Por essa razão, a VIP é preferida para as doses iniciais e é a única vacina indicada para imunocomprometidos, incluindo pacientes com HIV/AIDS, pois não há risco de poliomielite vacinal. A via de administração da VIP é intramuscular, podendo ser subcutânea em casos de discrasias sanguíneas, e suas contraindicações são raras, como reações anafiláticas graves.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema atual de vacinação contra poliomielite no PNI?

Atualmente, o PNI recomenda duas doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) aos 2 e 4 meses de idade, seguidas de duas doses de reforço da Vacina Oral Poliomielite (VOP) aos 6 meses e 15 meses, e um reforço adicional aos 4 anos de idade.

Qual a diferença entre a imunidade induzida pela VIP e pela VOP?

A VIP induz principalmente imunidade sistêmica (anticorpos séricos), protegendo contra a doença paralítica. A VOP, por ser oral, induz imunidade sistêmica e também imunidade de mucosa intestinal, que é crucial para impedir a replicação e circulação do vírus selvagem na comunidade.

Quem deve receber apenas a VIP e por quê?

Pacientes imunocomprometidos, incluindo aqueles com HIV/AIDS, devem receber apenas a VIP em todo o esquema vacinal. Isso ocorre porque a VOP contém vírus vivo atenuado, que pode causar poliomielite associada à vacina em indivíduos com imunidade comprometida.

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