Vacina Poliomielite: Tipos, Riscos e Prevenção

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Criança, 5 anos de idade, iniciou quadro febril agudo seguido de cefaleia e mialgias. Foi levada ao Hospital de Doenças Infecto-contagiosas, onde teve o diagnóstico de meningite viral, tendo alta com três dias por apresentar-se bem na evolução. Já em casa, sete dias após a alta, passa a apresentar perda súbita de força muscular em perna direita, com flacidez muscular. Em três dias não houve progressão, mas também não houve melhora. Os reflexos osteo-tendíneos estão diminuídos e a sensibilidade está preservada. Membro inferior esquerdo e demais dados do exame neurológico atual sem alterações.Quanto à vacina mais empregada no Brasil para prevenção da poliomielite, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) é feita de vírus mortos e pode complicar com a Síndrome de Guillan Barré.
  2. B) é feita com vírus vivos, provocando complicações raras por mutação viral.
  3. C) é feita com DNA viral isolado e pode desencadear reações autoimunes .
  4. D) é feita com RNA viral isolado e pode desencadear reações autoimunes.

Pérola Clínica

VOP (vírus vivo atenuado) → risco raro de poliomielite paralítica por mutação viral.

Resumo-Chave

A vacina oral de poliomielite (VOP), embora eficaz, utiliza vírus vivos atenuados que podem, em casos extremamente raros, sofrer mutação e causar poliomielite paralítica associada à vacina (VAPP). A vacina inativada (VIP) não possui esse risco, sendo a preferencial em países com erradicação da doença.

Contexto Educacional

A poliomielite é uma doença infecciosa grave causada pelo poliovírus, que pode levar à paralisia flácida. A vacinação em massa foi fundamental para a quase erradicação global da doença. No Brasil, o esquema vacinal atual inclui doses da vacina inativada (VIP) e da vacina oral (VOP), sendo a VOP utilizada principalmente para reforços e campanhas, visando a imunidade de rebanho e a erradicação viral em nível populacional. É crucial que residentes compreendam as características de cada tipo de vacina para um manejo adequado e aconselhamento dos pacientes. A VOP, por ser de vírus vivo atenuado, tem a vantagem de induzir uma forte resposta imune intestinal e ser de fácil administração, mas carrega um risco mínimo de poliomielite paralítica associada à vacina (VAPP) devido à reversão da virulência do vírus. Já a VIP, de vírus inativado, é segura e não causa a doença, sendo a opção preferencial em países com baixa circulação do poliovírus selvagem. O caso clínico apresentado, com paralisia flácida após um quadro viral, remete à importância do diagnóstico diferencial de paralisias agudas e à vigilância epidemiológica da poliomielite. O entendimento das vacinas contra a poliomielite é essencial para a prática médica, especialmente em pediatria e infectologia. A transição global para o uso exclusivo da VIP é uma meta da Organização Mundial da Saúde para eliminar completamente o risco de VAPP e consolidar a erradicação da poliomielite. Residentes devem estar atualizados sobre o calendário vacinal e as recomendações do Ministério da Saúde, além de saber identificar e notificar casos suspeitos de paralisia flácida aguda.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre a vacina oral (VOP) e a inativada (VIP) para poliomielite?

A VOP é composta por vírus vivos atenuados e é administrada por via oral, conferindo imunidade intestinal e de rebanho. A VIP é feita de vírus inativados, administrada por via injetável, e não possui risco de causar a doença.

Quais são as complicações raras associadas à vacina oral de poliomielite (VOP)?

A principal complicação rara da VOP é a poliomielite paralítica associada à vacina (VAPP), que ocorre quando o vírus atenuado muta e readquire neurovirulência, causando paralisia flácida aguda em indivíduos vacinados ou seus contatos.

Por que alguns países ainda utilizam a VOP, apesar do risco de VAPP?

A VOP é mais barata, fácil de administrar e induz imunidade intestinal, o que é crucial para interromper a transmissão do poliovírus selvagem em áreas endêmicas. Países que erradicaram a doença tendem a migrar para o uso exclusivo da VIP.

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