CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Sobre o diagnóstico etiológico da uveíte por sífilis, é correto afirmar
Teste treponêmico (FTA-ABS) → Permanece positivo vitaliciamente (cicatriz sorológica).
O diagnóstico de sífilis ocular baseia-se em testes treponêmicos (que confirmam a infecção passada ou presente) e não treponêmicos (que monitoram a atividade e resposta ao tratamento).
A sífilis é conhecida como 'a grande imitadora' na oftalmologia, podendo causar uveíte anterior, intermediária, posterior ou panuveíte. O diagnóstico laboratorial é fundamental, pois as manifestações clínicas são inespecíficas. Os testes treponêmicos são os primeiros a positivar e geralmente permanecem positivos para sempre. Já os testes não treponêmicos (VDRL) refletem a carga bacteriana e a atividade inflamatória, sendo essenciais para o seguimento pós-terapêutico. Na presença de uveíte sifilítica, o médico deve sempre investigar coinfecção por HIV e realizar a notificação compulsória, tratando o caso com regime de internação para antibioticoterapia venosa.
A cicatriz sorológica refere-se à persistência de testes treponêmicos positivos (como FTA-ABS, TPHA ou testes rápidos) pelo resto da vida do paciente, mesmo após o tratamento adequado e a cura da infecção. Por isso, esses testes não são úteis para diagnosticar reinfecção ou avaliar a atividade atual da doença em quem já teve sífilis anteriormente.
A diferenciação é feita através dos testes não treponêmicos, como o VDRL ou RPR. Títulos elevados ou em ascensão sugerem doença ativa, enquanto títulos baixos e estáveis ou a negativação após o tratamento indicam cura. Na uveíte sifilítica, qualquer positividade em testes treponêmicos deve ser levada a sério, dada a gravidade da manifestação ocular.
Sim, para fins de tratamento, a sífilis ocular é manejada com o mesmo protocolo da neurossífilis (penicilina cristalina endovenosa), independentemente dos achados no líquor. No entanto, a análise do líquor é recomendada para avaliar o envolvimento do sistema nervoso central, onde o aumento de celularidade e proteínas reforça a suspeita de neurossífilis.
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