CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Paciente do sexo feminino, com diagnóstico de esclerose múltipla, apresenta redução da acuidade visual e moscas volantes recentemente e, ao exame de fundo de olho, observam-se celularidade e opacidade vítreas em ambos os olhos. Sobre este quadro é correto afirmar:
Esclerose Múltipla + Uveíte Intermediária → Corticosteroides sistêmicos são a 1ª linha.
A uveíte intermediária é a manifestação inflamatória ocular mais comum na esclerose múltipla, caracterizada por vitreíte e frequentemente tratada com corticoides sistêmicos.
A uveíte intermediária é uma forma de inflamação intraocular que afeta primariamente o vítreo e a retina periférica (pars plana). Quando associada à esclerose múltipla, apresenta-se geralmente como uma vitreíte bilateral crônica. A fisiopatologia compartilha mecanismos imunomediados com a desmielinização do sistema nervoso central, envolvendo a ativação de células T que atravessam a barreira hemato-retiniana. O manejo clínico exige uma abordagem multidisciplinar entre oftalmologistas e neurologistas. Embora os corticosteroides sistêmicos sejam a base do tratamento inicial, casos recalcitrantes ou com dependência de corticoide podem necessitar de agentes imunomoduladores ou biológicos (como anti-TNF). É fundamental monitorar complicações como catarata, glaucoma secundário e, principalmente, o edema macular cistoide, que dita o prognóstico visual a longo prazo.
A esclerose múltipla (EM) está fortemente associada à uveíte intermediária, ocorrendo em cerca de 1% a 10% dos pacientes com EM. Frequentemente, a uveíte pode preceder os sintomas neurológicos. O quadro clínico típico envolve moscas volantes e visão embaçada devido à celularidade no vítreo (vitreíte), com presença de 'snowballs' (agregados de células no vítreo inferior) ou 'snowbanks' (exsudatos na pars plana).
O tratamento de primeira linha para episódios agudos ou exacerbações de uveíte intermediária associada à esclerose múltipla são os corticosteroides sistêmicos (orais ou pulsoterapia). Eles ajudam a controlar a inflamação intraocular e podem ter benefícios concomitantes nas lesões desmielinizantes neurológicas. Injeções perioculares ou intravítreas de corticoides são alternativas para casos unilaterais ou quando há contraindicação sistêmica.
O edema macular cistoide (EMC) é a complicação mais comum e a principal causa de perda visual central em pacientes com uveíte intermediária. Ele resulta da quebra da barreira hemato-retiniana devido à inflamação crônica. O diagnóstico é confirmado pela tomografia de coerência óptica (OCT), e seu manejo eficaz é crucial para preservar a acuidade visual do paciente.
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