CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Paciente de 20 anos, refere queixa de dor e baixa acuidade visual no olho direito, há três dias. Ao exame, apresenta opacidades de córnea, reação de câmara 2+/4+, pressão intraocular de 26 mmHg e fundo de olho normal. Qual o diagnóstico mais provável?
Uveíte anterior + Atrofia de íris + ↑ PIO → Pensar em etiologia viral (Herpes).
A uveíte herpética é uma causa clássica de uveíte hipertensiva, frequentemente associada a opacidades corneanas (ceratite prévia) e reação inflamatória na câmara anterior.
A uveíte herpética pode se manifestar como uma ceratouveíte, onde há envolvimento tanto do estroma corneano quanto da câmara anterior. O caso clínico descrito (paciente jovem, dor, baixa visão, opacidades de córnea e PIO de 26 mmHg) é altamente sugestivo. A hipertensão ocular em um olho inflamado deve sempre levantar a suspeita de etiologia viral ou Síndrome de Posner-Schlossman. A fisiopatologia envolve a reativação do vírus latente no gânglio trigêmeo, que viaja pelos nervos ciliares até o segmento anterior. A resposta inflamatória pode causar precipitados ceráticos (PKs) granulomatosos ou não-granulomatosos. O diagnóstico precoce é vital para evitar danos permanentes ao nervo óptico pelo glaucoma secundário e cicatrizes corneanas extensas.
O aumento da pressão intraocular (PIO) na uveíte herpética ocorre principalmente devido à trabeculite, que é a inflamação direta das células do trabeculado pelo vírus ou por debris inflamatórios. Isso obstrui a drenagem do humor aquoso. Diferente das uveítes imunomediadas sistêmicas que podem reduzir a produção de aquoso pelo corpo ciliar, o componente obstrutivo/inflamatório no trabeculado herpético predomina.
A atrofia de íris setorial é um sinal clínico muito sugestivo de uveíte por Herpes Simplex (HSV) ou Varicela-Zoster (VZV). Ela resulta da isquemia e inflamação dos vasos da íris e dos nervos ciliares. Outros sinais incluem transiluminação positiva na área afetada e, por vezes, distorção pupilar.
O tratamento baseia-se no tripé: 1) Antivirais sistêmicos (como Aciclovir ou Valaciclovir) para controle da replicação viral; 2) Corticosteroides tópicos para reduzir a inflamação e a trabeculite; 3) Hipotensores oculares tópicos (evitando análogos de prostaglandinas pelo risco teórico de reativação viral) para controlar a PIO.
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