Uveítes Herpéticas: Manejo e Uso de Corticosteroides

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

Nas uveítes herpéticas sem comprometimento corneano, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) São geralmente bilaterais, recidivantes e formam cicatrizes na córnea
  2. B) A hipotensão ocular é muito frequente na fase aguda
  3. C) Podem ser utilizados corticoesteroides
  4. D) Atrofia setorial da íris é achado patognomônico de herpes

Pérola Clínica

Uveíte herpética → Corticoide tópico indicado (após descartar ceratite epitelial ativa).

Resumo-Chave

Nas uveítes herpéticas sem envolvimento epitelial da córnea, o uso de corticosteroides tópicos é fundamental para controlar a inflamação e prevenir sequelas.

Contexto Educacional

As uveítes herpéticas (HSV-1, HSV-2 e VZV) são causas comuns de uveíte anterior unilateral. Elas podem se apresentar de forma isolada ou associadas à ceratite (ceratouveíte). O mecanismo da uveíte é predominantemente imunomediado, embora a replicação viral no humor aquoso possa ocorrer. O tratamento baseia-se no binômio antiviral + anti-inflamatório. O uso de aciclovir sistêmico (400mg 5x/dia para HSV ou 800mg 5x/dia para VZV) é frequentemente preferido à terapia tópica para evitar toxicidade epitelial. A monitorização da pressão intraocular é mandatória, e o desmame do corticosteroide deve ser extremamente lento para evitar recidivas inflamatórias, que são muito frequentes nesta patologia.

Perguntas Frequentes

Pode-se usar corticoide na uveíte herpética?

Sim, o uso de corticosteroides tópicos é uma parte essencial do tratamento da uveíte herpética, desde que não haja ceratite epitelial ativa (dendritos ou úlceras geográficas). A uveíte herpética é frequentemente uma resposta imunológica ao vírus, e não apenas uma infecção direta. O corticoide ajuda a reduzir a inflamação da câmara anterior, prevenir sinéquias e controlar a trabeculite. No entanto, deve ser sempre acompanhado por cobertura antiviral (tópica ou sistêmica) para prevenir a reativação viral epitelial induzida pelo esteroide.

Qual a alteração da pressão intraocular na uveíte herpética?

Diferente da maioria das uveítes que causam hipotensão ocular inicial (devido à falência do corpo ciliar), a uveíte herpética é classicamente associada à hipertensão ocular. Isso ocorre devido a uma trabeculite inflamatória (inflamação direta das células do trabeculado) que obstrui o escoamento do humor aquoso. Portanto, o achado de pressão intraocular elevada em um olho com uveíte unilateral e atrofia de íris é altamente sugestivo de etiologia herpética.

A atrofia de íris é patognomônica de herpes?

Embora a atrofia setorial da íris seja um sinal clínico muito forte e característico de uveíte por Herpes Simplex (HSV) ou Varicela-Zoster (VZV), ela não é considerada estritamente patognomônica, pois outras condições raras podem causar atrofia iriana. No entanto, na prática clínica, a presença de atrofia setorial associada a precipitados ceráticos granulomatosos ou não-granulomatosos e aumento da pressão intraocular direciona fortemente o diagnóstico para o espectro herpético.

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