CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Qual é o imunossupressor de escolha para crianças com uveíte anterior secundária à artrite juvenil idiopática?
Metotrexato = 1ª linha de poupador de corticoide na uveíte associada à AIJ.
O Metotrexato é o imunossupressor de escolha para o controle a longo prazo da uveíte anterior crônica na AIJ, visando reduzir a dependência de corticosteroides e prevenir complicações como catarata e glaucoma.
A uveíte é a manifestação extra-articular mais comum da AIJ, afetando até 20-30% das crianças com o subtipo oligoarticular. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar entre oftalmologistas e reumatologistas pediátricos. O objetivo terapêutico é a 'inatividade da doença' (zero células na câmara anterior) com a menor dose possível de corticoides. O Metotrexato atua como um antagonista do ácido fólico, inibindo a síntese de purinas e a proliferação de células T. Na prática clínica, o monitoramento de enzimas hepáticas e hemograma é obrigatório. A suplementação com ácido fólico é recomendada para reduzir efeitos colaterais gastrointestinais. Em casos de falha ao MTX, a transição para biológicos (anti-TNF) revolucionou o prognóstico visual dessas crianças, reduzindo drasticamente a cegueira por complicações inflamatórias.
O Metotrexato (MTX) é considerado o padrão-ouro como agente poupador de corticoide de primeira linha para a uveíte associada à Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) devido ao seu perfil de eficácia estabelecido, segurança relativa em longo prazo e posologia semanal (oral ou subcutânea), que facilita a adesão. Ele controla a inflamação intraocular em uma grande porcentagem de pacientes, permitindo a redução da dose de corticosteroides tópicos e sistêmicos, minimizando assim o risco de catarata, glaucoma e efeitos colaterais sistêmicos graves em crianças.
A uveíte na AIJ é tipicamente uma uveíte anterior crônica, não granulomatosa e, crucialmente, assintomática (olho branco). Ela ocorre com mais frequência em meninas com a forma oligoarticular da doença e com positividade para o anticorpo antinuclear (FAN/ANA). Devido à ausência de sintomas como dor ou vermelhidão, o diagnóstico muitas vezes é feito tardiamente, já com complicações como sinéquias posteriores, ceratopatia em faixa ou catarata, o que reforça a necessidade de triagem periódica com lâmpada de fenda.
Se o paciente não responder adequadamente ao Metotrexato em dose otimizada após 3 a 6 meses, ou se houver intolerância ao medicamento, a próxima linha de tratamento geralmente envolve agentes biológicos. Os inibidores do TNF-alfa, especificamente o Adalimumabe, demonstraram alta eficácia no controle da uveíte refratária associada à AIJ (estudo SYCAMORE). O Infliximabe também é uma opção. É importante notar que o Etanercepte, embora eficaz para a artrite, pode não ser eficaz para a uveíte e, em alguns casos, foi associado ao seu desenvolvimento de novo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo