CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Paciente de 30 anos refere redução da acuidade visual no olho direito há cinco dias. Neste olho, apresenta acuidade visual 0,8. Ao exame, observa-se reação de câmara anterior 1+ e fundoscopia normal. O olho esquerdo não tem alterações. Apresentou sífilis durante a gestação há dois anos, com tratamento adequado. Apresenta teste não-treponêmico negativo e testes treponêmicos positivos. Diante do quadro, qual a conduta mais apropriada?
VDRL (-) e Treponêmico (+) com tratamento prévio = Cicatriz sorológica; tratar uveíte leve com corticoide tópico.
Em pacientes com história de sífilis adequadamente tratada e testes não-treponêmicos negativos, uma uveíte anterior leve pode ser manejada inicialmente com corticoides tópicos, assumindo-se etiologia não infecciosa ativa.
O diagnóstico de sífilis ocular é um desafio devido à sua capacidade de mimetizar diversas outras patologias oculares (a 'grande simuladora'). A interpretação dos testes sorológicos é fundamental: os testes treponêmicos (como FTA-Abs ou ELISA) detectam anticorpos específicos que geralmente persistem por toda a vida, enquanto os testes não-treponêmicos (VDRL, RPR) refletem a atividade da doença e são usados para monitorar a resposta ao tratamento. Neste cenário clínico, a estabilidade sorológica e a ausência de sinais de atividade sistêmica permitem uma abordagem conservadora para uma uveíte anterior leve. Contudo, o médico deve manter alta vigilância; qualquer piora do quadro ou positividade em testes não-treponêmicos exigiria a investigação de neurossífilis e tratamento com penicilina cristalina.
Essa combinação geralmente indica uma sífilis previamente tratada ou uma sífilis latente muito tardia onde os títulos de anticorpos não-treponêmicos caíram abaixo do limite de detecção. Se o paciente tem histórico documentado de tratamento adequado e não há novos riscos de exposição, considera-se cicatriz sorológica. No contexto de uma uveíte anterior leve (1+ de células), a causa pode ser idiopática ou imunológica, não necessariamente indicando atividade sifilítica atual.
De acordo com os protocolos atuais (CDC e Ministério da Saúde), qualquer manifestação de sífilis ocular (uveíte, neurite óptica, vasculite) deve ser manejada como neurossífilis, independentemente do resultado do líquor (LCR), utilizando Penicilina Cristalina endovenosa. No entanto, isso se aplica quando há suspeita de sífilis ATIVA (VDRL positivo ou forte suspeita clínica de reinfecção).
O corticoide tópico é usado para controlar a inflamação da câmara anterior e prevenir sequelas como sinéquias posteriores. Se a sífilis for considerada ativa, o corticoide deve SEMPRE ser acompanhado da antibioticoterapia sistêmica adequada. No caso da questão, a negatividade do teste não-treponêmico e o tratamento prévio sugerem que a inflamação atual pode ser manejada apenas com o corticoide.
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