IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025
Paciente de 28 anos, nuligesta, procura atendimento médico para trocar seu método contraceptivo pois esquece de tomar os comprimidos da cartela da pílula combinada. Nega tabagismo, nega antecedentes de tromboembolismo e infarto, além de não ter enxaqueca com aura. Trouxe uma ultrassonografia de 4 anos atrás com útero septado. Qual método contraceptivo abaixo estaria mais indicado?
Nuligesta com útero septado e esquecimento de pílula → Injetável trimestral é a melhor opção, pois DIU é contraindicado.
Pacientes com útero septado possuem uma malformação uterina que contraindica o uso de DIU (tanto hormonal quanto não hormonal) devido ao risco aumentado de perfuração, expulsão ou falha do método. Como a paciente esquece a pílula combinada, um método de longa ação sem estrogênio e sem inserção intrauterina, como o injetável trimestral, é o mais indicado.
O útero septado é a malformação uterina congênita mais comum, caracterizada pela presença de um septo fibroso ou muscular que divide total ou parcialmente a cavidade uterina. Embora possa ser assintomático, está associado a complicações obstétricas como abortos de repetição, partos prematuros e apresentações anômalas. No contexto da contracepção, a presença de um septo uterino é uma contraindicação para métodos intrauterinos, como o DIU hormonal (com Levonorgestrel) e o DIU não hormonal (de cobre), devido ao risco aumentado de falha, perfuração ou expulsão. A escolha do método contraceptivo para uma paciente com útero septado e histórico de esquecimento de pílulas combinadas deve priorizar a eficácia, a segurança e a adesão. Métodos que não dependem da anatomia da cavidade uterina e que não exigem tomada diária são ideais. A pílula de progestágeno isolado, embora eficaz, ainda depende da adesão diária, o que pode ser um problema para a paciente. O diafragma com geleia espermicida é um método de barreira com eficácia menor e que exige uso correto em cada relação. Nesse cenário, o contraceptivo injetável trimestral, que contém apenas progestágeno (acetato de medroxiprogesterona), surge como a melhor opção. Ele oferece alta eficácia, não contém estrogênio (evitando riscos cardiovasculares), não é afetado pela malformação uterina e elimina a necessidade de lembrança diária, melhorando a adesão. Outras opções hormonais de longa duração que evitam a cavidade uterina, como o implante subdérmico, também seriam consideradas, mas não estão nas alternativas.
O útero septado é uma malformação uterina que altera a anatomia da cavidade. A inserção do DIU pode ser dificultada, aumentar o risco de perfuração uterina, expulsão do dispositivo ou falha contraceptiva devido ao posicionamento inadequado.
Para pacientes com útero septado que buscam métodos de longa duração e não desejam pílulas diárias, as opções incluem o injetável trimestral (medroxiprogesterona) ou o implante subdérmico de etonogestrel, pois ambos evitam a cavidade uterina.
O injetável trimestral é um método de progestágeno isolado, não contém estrogênio (evitando riscos tromboembólicos), é de longa duração (aplicação a cada 3 meses), e sua eficácia não é comprometida por malformações uterinas, sendo ideal para quem esquece pílulas.
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