Útero de Couvelaire: Manejo da Hemorragia Obstétrica Grave

PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 33 anos, G4P3A0, 3 partos vaginais prévios, é submetida a parto cesariana de emergência por estado fetal não tranquilizador e evolui com útero de “Couvelaire” após a histerorrafia. Paciente com índice de choque (IC) = 1,7 após administração de ocitocina, ergotrate e ácido tranexâmico. Assinale a alternativa que indica a etiologia MAIS provável e a MELHOR conduta, respectivamente, frente ao caso:

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro de placenta. Realizar suturas de B-Lynch e transfusão de concentrado de hemácias.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta. Realizar histerectomia e transfusão maciça.
  3. C) Acretismo placentário. Introduzir balão intrauterino e realizar transfusão de concentrado de hemácias.
  4. D) Acretismo placentário. Realizar curetagem uterina e transfusão maciça.

Pérola Clínica

Útero de Couvelaire + IC > 0,9 após medidas conservadoras = DPP grave → Histerectomia + Transfusão Maciça.

Resumo-Chave

O útero de Couvelaire é um sinal patognomônico de descolamento prematuro de placenta grave, indicando infiltração sanguínea no miométrio e perda da capacidade contrátil. Um índice de choque elevado (IC > 0,9) e falha das medidas uterotônicas e hemostáticas conservadoras apontam para a necessidade de histerectomia de emergência e transfusão maciça para salvar a vida da paciente.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do parto. Pode levar a hemorragia materna maciça, sofrimento fetal e coagulopatia. O útero de Couvelaire é uma manifestação severa do DPP, onde a infiltração sanguínea no miométrio impede a contração uterina eficaz, resultando em atonia e hemorragia refratária. A paciente do caso apresenta um quadro de DPP com útero de Couvelaire e choque grave (IC = 1,7), mesmo após uso de uterotônicos e ácido tranexâmico. Isso indica que as medidas conservadoras falharam e o útero perdeu sua capacidade de contrair. A conduta mais apropriada e salvadora de vida é a histerectomia de emergência para controlar a hemorragia, juntamente com transfusão maciça para reverter o choque e corrigir a coagulopatia. É crucial diferenciar o DPP de outras causas de hemorragia pós-parto, como acretismo placentário, que teria uma apresentação clínica e manejo diferentes. No acretismo, a placenta está anormalmente aderida, e a curetagem seria contraindicada devido ao risco de perfuração e hemorragia maciça. A identificação precoce do útero de Couvelaire e a decisão rápida pela histerectomia são determinantes para o prognóstico materno.

Perguntas Frequentes

O que é o útero de Couvelaire e qual sua importância clínica?

O útero de Couvelaire é uma condição onde o sangue do descolamento prematuro de placenta se infiltra no miométrio, tornando o útero cianótico e atônico. É um sinal de descolamento grave e indica falha da contratilidade uterina, levando a hemorragia incontrolável.

Quando a histerectomia é indicada em casos de hemorragia pós-parto com útero de Couvelaire?

A histerectomia é indicada quando há útero de Couvelaire e a hemorragia não responde às medidas conservadoras (uterotônicos, suturas compressivas, balão intrauterino), e a paciente apresenta choque hipovolêmico grave, como indicado por um índice de choque elevado.

Qual a relevância do índice de choque (IC) na avaliação da hemorragia obstétrica?

O índice de choque (frequência cardíaca / pressão arterial sistólica) é um indicador rápido e eficaz da gravidade do choque hipovolêmico. Um IC > 0,9 em obstetrícia sugere choque grave e necessidade de intervenções agressivas, incluindo transfusão maciça.

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