Útero Bicorno e Gravidez: Riscos e Orientações para Pacientes

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 20 anos fez ultrassonografia transvaginal e foi diagnosticada como portadora de útero bicorno. Fez ressonância magnética e foi confirmado o diagnóstico. Informa desejo de gravidez em 2 ou 3 anos. A orientação a ser dada a essa paciente é:

Alternativas

  1. A) realizar histeroscopia para confirmação diagnóstica e fazer metroplastia histeroscópica.
  2. B) liberar para engravidar embora a prevalência de abortamentos e partos prematuros seja maior.
  3. C) realizar videolaparoscopia para cirurgia corretiva.
  4. D) é comum a associação com disgenesia gonadal. Deve realizar investigação a respeito.
  5. E) sempre fazer exame de Papanicolau nos 2 colos uterinos.

Pérola Clínica

Útero bicorno → liberar para engravidar, mas alertar sobre ↑ risco de abortamento e parto prematuro.

Resumo-Chave

O útero bicorno é uma malformação uterina congênita que não impede a gravidez, mas aumenta o risco de complicações obstétricas como abortamento, parto prematuro e apresentação pélvica. A cirurgia corretiva (metroplastia) geralmente não é indicada profilaticamente antes da gestação, sendo reservada para casos de perdas gestacionais recorrentes.

Contexto Educacional

O útero bicorno é uma malformação uterina congênita resultante da fusão incompleta dos ductos de Müller, caracterizada por uma indentação no fundo uterino e dois cornos uterinos. Embora não seja uma causa de infertilidade primária, está associado a um aumento significativo no risco de complicações obstétricas, como abortamento espontâneo (especialmente no segundo trimestre), parto prematuro, apresentação fetal anômala (pélvica ou transversa) e, menos frequentemente, restrição de crescimento intrauterino. O diagnóstico é estabelecido por ultrassonografia transvaginal e confirmado por ressonância magnética pélvica, que oferece excelente detalhamento anatômico. A conduta inicial para pacientes que desejam engravidar é a liberação para tentar a gestação, com aconselhamento sobre os riscos aumentados. A cirurgia corretiva, como a metroplastia (cirurgia de Strassmann), não é indicada de forma profilática, mas pode ser considerada em casos de perdas gestacionais recorrentes ou falha reprodutiva após outras causas terem sido excluídas. O acompanhamento pré-natal de gestantes com útero bicorno deve ser mais rigoroso, visando a detecção precoce e o manejo de possíveis complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos de uma gravidez em paciente com útero bicorno?

Os principais riscos incluem abortamento espontâneo, parto prematuro, apresentação fetal anômala (pélvica ou transversa) e, menos frequentemente, restrição de crescimento intrauterino.

A cirurgia corretiva (metroplastia) é sempre indicada para útero bicorno?

Não, a metroplastia geralmente não é indicada profilaticamente. É considerada em casos de perdas gestacionais recorrentes ou infertilidade inexplicada após investigação completa de outras causas.

Como o útero bicorno é diagnosticado?

O diagnóstico é feito inicialmente por ultrassonografia transvaginal e confirmado por exames de imagem mais detalhados, como a ressonância magnética pélvica ou a histeroscopia.

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