ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um pai está preocupado com seu filho de 15 anos, que tem apresentado queda do rendimento escolar, desinteresse pelos esportes que praticava, comportamento hostil com familiares, perda de peso e irritação ocular ("olhos vermelhos") com fotofobia. Considerando as informações do pai, o médico faz a hipótese diagnóstica adequada de:
Queda escolar + Mudança de humor + Olhos vermelhos = Suspeitar de uso de substâncias.
A combinação de declínio acadêmico, isolamento social, perda de peso e sinais físicos como hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) em adolescentes é altamente sugestiva de abuso de substâncias ilícitas.
O abuso de substâncias na adolescência é uma preocupação crescente, pois o cérebro ainda está em fase crítica de maturação, especialmente o córtex pré-frontal. O uso precoce de drogas pode interferir no desenvolvimento das funções executivas e aumentar o risco de dependência na vida adulta. No cenário clínico descrito, a tríade de sintomas comportamentais (hostilidade, desinteresse), acadêmicos (queda de rendimento) e físicos (olhos vermelhos, fotofobia, perda de peso) aponta fortemente para o uso de substâncias como cannabis ou inalantes. A fotofobia e a irritação ocular são sinais frequentes de irritação química ou efeitos autonômicos de diversas drogas, exigindo uma investigação direta e empática por parte do profissional de saúde.
Os sinais clássicos incluem a hiperemia conjuntival ('olhos vermelhos') devido à vasodilatação, aumento do apetite ('larica') ou, em casos de uso crônico pesado, perda de peso, além de taquicardia, xerostomia (boca seca) e prejuízo na coordenação motora e memória de curto prazo.
Embora a adolescência envolva busca por autonomia, o uso de drogas geralmente causa uma ruptura mais acentuada no funcionamento prévio. Queda brusca no rendimento escolar, abandono de hobbies antigos, mudança radical no círculo de amizades, hostilidade persistente e sinais físicos inexplicáveis (como a fotofobia e irritação ocular citadas) são indicadores de patologia ou abuso de substâncias.
O médico deve realizar uma anamnese acolhedora e sigilosa (garantindo a privacidade do adolescente, exceto em risco de vida), utilizar questionários validados como o CRAFFT, e investigar o padrão de uso. É essencial abordar a família e propor estratégias de redução de danos ou tratamento especializado, dependendo da gravidade do consumo.
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