ENARE/ENAMED — Prova 2022
É uma sexta-feira, véspera de carnaval, e Júnia traz seu filho, Tomás, de 6 anos, ao pronto atendimento devido a quadro de dor de garganta iniciada há 1 dia. A criança apresenta-se afebril, sem linfonodos palpáveis, sem exsudato em amígdalas e presença de tosse. Pela avaliação dos critérios de Centor, o médico assistente avalia que se trata de uma faringite viral e orienta Júnia a tratar Tomás com sintomáticos e levá-lo à Unidade Básica de Saúde em caso de ausência de melhora em 3 dias. Júnia insiste na prescrição de antibiótico, lembrando que, na última vez que Tomás teve o mesmo sintoma, a melhora só ocorreu após início do uso de amoxicilina. Nessa situação, o médico assistente
Faringite viral (Centor baixo) → NÃO prescrever ATB para evitar resistência, mas considerar decisão compartilhada em contextos específicos.
Em casos de faringite viral, o uso de antibióticos é desnecessário e contribui para a resistência antimicrobiana. No entanto, em situações sociais complexas ou de dificuldade de acesso a reavaliação, a decisão compartilhada com o paciente/responsável, considerando seus valores e crenças, pode levar à prescrição antecipada de antibióticos, com orientação clara.
A faringite é uma condição comum, especialmente em crianças, e a grande maioria dos casos é de etiologia viral. A diferenciação entre faringite viral e bacteriana (principalmente por Streptococcus pyogenes) é crucial para evitar o uso desnecessário de antibióticos. Os critérios de Centor modificados são uma ferramenta clínica amplamente utilizada para estratificar o risco de infecção estreptocócica, considerando fatores como exsudato amigdaliano, linfonodos cervicais dolorosos, ausência de tosse, febre e idade. O uso indiscriminado de antibióticos para infecções virais é um dos principais impulsionadores da resistência antimicrobiana, um desafio crescente para a saúde pública global. Além disso, expõe os pacientes a efeitos colaterais desnecessários. A autonomia do paciente e a relação médico-paciente são fundamentais, mas devem ser equilibradas com a responsabilidade ética do médico de promover o uso racional de medicamentos e proteger a saúde coletiva. Em situações complexas, como a descrita na questão (véspera de feriado, dificuldade de reavaliação, insistência da mãe), a "prescrição antecipada" ou "decisão compartilhada" de antibióticos pode ser uma estratégia. Isso implica em fornecer a receita com orientações claras sobre quando iniciar o antibiótico (ex: se não houver melhora em X dias ou piora dos sintomas), educando o paciente sobre a natureza viral da doença e os riscos da resistência, enquanto se respeitam suas preocupações e o contexto social.
Os critérios de Centor modificados avaliam a probabilidade de faringite estreptocócica: exsudato amigdaliano, linfonodos cervicais anteriores dolorosos, ausência de tosse, história de febre e idade (3-14 anos +1, 15-44 anos 0, >45 anos -1). Uma pontuação baixa (0-1) sugere infecção viral, enquanto uma pontuação alta (3-5) indica maior probabilidade bacteriana.
A prescrição desnecessária de antibióticos para faringites virais contribui significativamente para o desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana, um grave problema de saúde pública. Além disso, expõe o paciente a efeitos adversos sem benefício.
A decisão compartilhada envolve o médico e o paciente (ou responsável) discutindo as opções de tratamento, seus riscos e benefícios, considerando as preferências, valores e crenças do paciente. Em situações específicas, como dificuldade de acesso a reavaliação, pode-se considerar a prescrição antecipada de antibióticos com orientações claras sobre quando e como usar.
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