INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 46 anos comparece à consulta acompanhado de sua esposa e solicita atestado para justificar 2 dias de ausência no trabalho. Refere que, há 2 dias, apresenta diminuição do apetite, cefaleia, fadiga, tristeza e sentimento de culpa. A esposa refere que ele ingeriu grande quantidade de bebida alcoólica numa festa e que chegou em casa sendo carregado por amigos na noite anterior ao início dos sintomas. Segundo ela, isso costuma acontecer há 1 ano, cerca de 2 vezes ao mês. Após essas situações, o paciente fica bastante entristecido, não quer sair da cama e acaba faltando ao trabalho. Entre os episódios de ingesta de bebida, o paciente trabalha, estuda e tem bom funcionamento familiar e social. Nega comorbidades e uso de medicações. Ao exame físico, não apresenta alterações. Nesse caso, ao final da consulta, o médico deve explicar ao paciente que seu quadro clínico trata-se de
Padrão de consumo de álcool com consequências negativas recorrentes, mas sem dependência física ou psicológica, = uso nocivo.
O paciente apresenta um padrão de consumo de álcool que resulta em consequências negativas para sua saúde (fadiga, cefaleia, tristeza, culpa) e funcionamento social/ocupacional (faltar ao trabalho), mas não preenche critérios para dependência (tolerância, abstinência, perda de controle). Isso se enquadra no conceito de uso nocivo de álcool.
O uso nocivo de álcool, conforme a CID-10, refere-se a um padrão de consumo que causa dano à saúde física ou mental, ou consequências sociais adversas, mas que não atinge o nível de dependência. É um diagnóstico importante na prática clínica, pois permite a intervenção precoce antes que o quadro evolua para dependência. No caso apresentado, o paciente experimenta consequências negativas recorrentes (faltas ao trabalho, tristeza, culpa) diretamente ligadas ao consumo excessivo de álcool. A diferenciação entre uso nocivo e dependência é crucial. A dependência de álcool (ou Transtorno do Uso de Álcool no DSM-5) envolve critérios mais severos, como tolerância, síndrome de abstinência, desejo intenso de consumir, esforços infrutíferos para reduzir o uso e persistência do uso apesar de problemas significativos. No caso, a ausência de tolerância ou abstinência física e o bom funcionamento entre os episódios de ingesta excessiva afastam a dependência. A abordagem terapêutica para o uso nocivo de álcool geralmente envolve intervenções breves, aconselhamento e psicoeducação. O objetivo é ajudar o paciente a reconhecer o padrão de consumo problemático e desenvolver estratégias para reduzir ou cessar o uso, prevenindo a progressão para a dependência e melhorando a qualidade de vida. É fundamental que o médico aborde o tema de forma empática e sem julgamentos.
O uso nocivo de álcool é caracterizado por um padrão de consumo que causa dano à saúde física ou mental, ou consequências sociais adversas, mas sem preencher os critérios para dependência.
A dependência envolve tolerância, abstinência, compulsão pelo uso, perda de controle sobre o consumo e persistência do uso apesar das consequências negativas, critérios que não são totalmente preenchidos no uso nocivo.
A conduta inicial deve incluir aconselhamento breve, psicoeducação sobre os riscos do álcool e estratégias para redução do consumo, além de acompanhamento e suporte.
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