INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 25 anos de idade, em uso de fluoxetina 40 mg ao dia há 16 meses devido a transtorno de ansiedade generalizada leve, documentado em prontuário, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) porque acabou de descobrir que está grávida e deseja iniciar o pré-natal. Diz que a ansiedade está bem melhor há quase um ano e que não sente mais os sintomas que eram comuns quando começou o tratamento. Relata ter muito medo de que algo ruim aconteça com o bebê, pois sabe que o uso de alguns medicamentos pode prejudicar o desenvolvimento do feto e gostaria de saber se o uso de fluoxetina é seguro. Diante dessa situação, a conduta indicada é:
Gestante estável e assintomática → Considerar suspensão gradual de ISRS com monitoramento rigoroso.
A suspensão da medicação em pacientes assintomáticas e estáveis deve ser discutida, priorizando o acompanhamento frequente para detectar recidivas.
O manejo de transtornos psiquiátricos durante o ciclo gravídico-puerperal exige uma abordagem individualizada. A fluoxetina, um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS), atravessa a barreira placentária. Em casos de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) leve e estável, as diretrizes sugerem que a suspensão gradual pode ser tentada, especialmente se a paciente desejar e houver suporte psicoterapêutico disponível. É crucial que o médico não apenas suspenda a droga, mas garanta um plano de monitoramento frequente. A recorrência de sintomas psiquiátricos durante a gestação é comum e pode ser mais prejudicial ao feto do que a própria medicação. Intervenções não farmacológicas, como terapia cognitivo-comportamental, devem ser incentivadas como primeira linha ou terapia adjuvante.
A fluoxetina é um dos ISRS mais estudados na gestação. Embora não seja associada a grandes malformações estruturais de forma consistente, há riscos potenciais de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido e síndrome de adaptação neonatal. A decisão deve ser baseada no binômio risco-benefício.
Em pacientes com transtornos leves a moderados que estão assintomáticos por longo período (como no caso, 1 ano), a tentativa de suspensão gradual visa minimizar a exposição fetal desnecessária, desde que haja vigilância estreita para recaídas.
A ansiedade materna não tratada está associada a piores desfechos obstétricos, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e dificuldades no vínculo mãe-bebê no pós-parto. Se a paciente descompensar, a medicação deve ser reiniciada.
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