Diazepam Crônico em Idosos: Como Manejar a Insônia?

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 58 anos procura Unidade Básica de Saúde (UBS) para renovar receita de diazepam 10 mg. Refere que faz uso da medicação há 25 anos e que não consegue adormecer sem ele. Inclusive, queixa-se de que a medicação vem perdendo eficácia e que sua memória está muito ruim. Nesse caso, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) renovar a receita, orientar o uso moderado do diazepam e associar melatonina.
  2. B) reduzir gradualmente o diazepam e introduzir medicação não benzodiazepínica.
  3. C) suspender o uso do diazepam, não renovar a receita e orientar higiene do sono.
  4. D) ajustar a dosagem do diazepam para 15 mg e avaliar melhora do sono para novos ajustes.

Pérola Clínica

Uso crônico de benzodiazepínicos em idosos → desmame gradual + alternativa não benzodiazepínica.

Resumo-Chave

O uso prolongado de benzodiazepínicos, como o diazepam, em idosos está associado a perda de eficácia, dependência, prejuízo cognitivo e risco de quedas. A conduta adequada é o desmame gradual, substituindo por terapias mais seguras e eficazes para insônia.

Contexto Educacional

O uso de benzodiazepínicos (BZD) para insônia é comum, mas seu uso crônico, especialmente em idosos, é uma preocupação significativa devido aos múltiplos efeitos adversos. A insônia é prevalente na população idosa, e o manejo inadequado pode levar a dependência, tolerância e piora da qualidade de vida, sendo um tema relevante para residentes de Geriatria, Psiquiatria e Clínica Médica. Fisiopatologicamente, os BZD atuam potencializando a ação do GABA, um neurotransmissor inibitório, levando à sedação. Com o uso prolongado, desenvolve-se tolerância, dependência e uma série de efeitos adversos como prejuízo cognitivo (déficits de memória), sedação diurna, ataxia e aumento do risco de quedas. A queixa de perda de eficácia e memória ruim na paciente é um sinal clássico de uso crônico e inadequado de benzodiazepínicos. A conduta mais adequada é o desmame gradual do diazepam, que deve ser lento para evitar sintomas de abstinência, e a introdução de medicações não benzodiazepínicas ou, preferencialmente, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). O prognóstico melhora significativamente com a interrupção do BZD e a adoção de abordagens mais seguras e eficazes para o manejo do sono, focando na causa subjacente da insônia e na promoção da higiene do sono.

Perguntas Frequentes

Quais os riscos do uso crônico de benzodiazepínicos em idosos?

O uso crônico de benzodiazepínicos em idosos aumenta o risco de dependência, tolerância, prejuízo cognitivo (memória, atenção), sedação diurna, ataxia, quedas, fraturas e exacerbação de distúrbios respiratórios do sono.

Qual a estratégia para o desmame seguro de benzodiazepínicos?

O desmame seguro envolve a redução gradual e lenta da dose do benzodiazepínico, geralmente ao longo de semanas a meses, para minimizar os sintomas de abstinência. Pode ser necessário substituir por um benzodiazepínico de meia-vida mais longa ou por uma medicação não benzodiazepínica.

Quais são as alternativas não benzodiazepínicas para insônia em idosos?

As alternativas incluem agonistas de receptores de melatonina (ramelteon), antidepressivos sedativos (trazodona, mirtazapina em baixas doses) e, principalmente, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), que é a primeira linha de tratamento.

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