Urticária-Vasculite: Diagnóstico Diferencial e Achados

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 54 anos apresenta lesões cutâneas elevadas, eritematosas, altamente pruriginosas e migratórias nos quatro membros e no tronco há três semanas. Cada lesão dura cerca de dois a três dias e desaparece, deixando área arroxeada residual. As lesões são dolorosas à palpação. Apresentou episódios de edema assimétrico do lábio superior. Nega comorbidades, uso de medicamentos ou alergias conhecidas. Não apresentou resposta a doses elevadas de antihistamínico. Realizou biópsia de pele que revelou infiltrado neutrofílico ao redor dos pequenos vasos cutâneos, associado a depósitos de fibrina e restos nucleares. EXAMES DE LABORATÓRIO: hemoglobina 13,2 g/dL; leucócitos 7.400/mm³; linfócitos 2.400/mm³; neutrófilos 4.030/mm³; creatinina 0,6 mg/dL; C3 132 mg/dL; C4 23 mg/dL; C1q 17 mg/dL; exame de urina sem alterações. Assinale a alternativa que apresenta a diagnóstico CORRETO para esse caso:

Alternativas

  1. A) Angioedema hereditário.
  2. B) Poliangeíte microscópica.
  3. C) Urticária crônica espontânea.
  4. D) Urticária-vasculite.

Pérola Clínica

Urticária > 24h + dor/queimação + hiperpigmentação residual = Urticária-vasculite.

Resumo-Chave

A urticária-vasculite diferencia-se da urticária comum pela duração prolongada das lesões, sintomas de dor em vez de prurido e achados histopatológicos de vasculite leucocitoclástica.

Contexto Educacional

A urticária-vasculite é uma entidade clínico-patológica que se manifesta como placas urticariformes, mas que histologicamente apresenta vasculite de pequenos vasos. Pode ser idiopática ou secundária a doenças autoimunes (como LES), infecções (Hepatite B ou C), neoplasias ou reações a drogas. O manejo depende da gravidade e do envolvimento sistêmico. Casos leves e cutâneos podem responder a anti-inflamatórios não esteroidais, colchicina ou dapsona. Casos graves ou com hipocomplementenemia e envolvimento de órgãos internos exigem imunossupressão sistêmica com corticoides, azatioprina, ciclosporina ou agentes biológicos como o rituximabe. O prognóstico é geralmente bom na forma normocomplementêmica, mas requer vigilância rigorosa na forma hipocomplementêmica devido ao risco de complicações sistêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais características clínicas sugerem urticária-vasculite?

Diferente da urticária comum, as lesões da urticária-vasculite persistem por mais de 24 horas no mesmo local. Elas costumam ser descritas como dolorosas ou com sensação de queimação, em vez de apenas pruriginosas. Ao regredirem, frequentemente deixam uma mancha purpúrica ou hiperpigmentação residual (equimose residual), refletindo o dano vascular e o extravasamento de hemácias.

O que a biópsia de pele revela nesta condição?

O achado histopatológico clássico é a vasculite leucocitoclástica dos pequenos vasos da derme superficial. Isso inclui infiltrado inflamatório predominantemente neutrofílico na parede do vaso, fragmentação nuclear dos neutrófilos (leucocitoclasia ou 'poeira nuclear'), depósitos de fibrina (necrose fibrinoide) e extravasamento de hemácias.

Qual a importância da dosagem do complemento (C3, C4, C1q)?

A urticária-vasculite pode ser normocomplementêmica ou hipocomplementêmica. A forma hipocomplementêmica (HUV) é frequentemente associada a manifestações sistêmicas (artrite, doença renal, doença pulmonar obstrutiva, uveíte) e pode estar relacionada ao Lúpus Eritematoso Sistêmico. A queda do C1q é um marcador importante para a Síndrome da Urticária-Vasculite Hipocomplementêmica.

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