Urticária ao Frio e Anafilaxia: Conduta de Emergência

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Escolar, oito anos, com placas eritematosas difusas, palidez e perda da consciência pouco após mergulho em cachoeira. Tem história prévia de placas eritematosas e pruriginosas após banhos de mar, que somem sem tratamento. Exame físico: acordado, orientado, normotenso; FC = 100 bpm; FR = 26 irpm; boa perfusão periférica; várias placas eritematosas em tronco, face e membros bastante pruriginosas, sem edema. A conduta melhor indicada, no momento, é:

Alternativas

  1. A) Teste do gelo em contato com a pele por quatro minutos e observação após 10 minutos.
  2. B) Dosagem de crioproteínas, sendo sua ausência a característica deste diagnóstico.
  3. C) Adrenalina subcutânea imediatamente associada anti-histamínico intravenoso.
  4. D) Quinze dias de corticoide por via oral, prescrito.

Pérola Clínica

Urticária ao frio + perda de consciência após imersão = Anafilaxia → Adrenalina imediata.

Resumo-Chave

A exposição súbita ao frio (como mergulho) pode causar liberação maciça de mediadores mastocitários, levando à anafilaxia sistêmica em pacientes com urticária ao frio.

Contexto Educacional

A urticária ao frio é uma condição que varia de reações localizadas a eventos sistêmicos fatais. O caso clínico descreve um escolar com história prévia de placas pruriginosas após banho de mar que evoluiu para anafilaxia (perda de consciência e placas difusas) após imersão em cachoeira. O tratamento de primeira linha para anafilaxia é sempre a adrenalina. Anti-histamínicos e corticoides são medicações de segunda linha e não tratam o colapso cardiovascular ou o broncoespasmo de forma imediata. O reconhecimento precoce da urticária física e a prescrição de autoinjetores de adrenalina são medidas preventivas essenciais para esses pacientes.

Perguntas Frequentes

O que é a urticária ao frio e como é diagnosticada?

A urticária ao frio é uma forma de urticária física onde a exposição a baixas temperaturas desencadeia a formação de pápulas, prurido e angioedema. O diagnóstico clínico é confirmado pelo 'teste do cubo de gelo': um gelo envolto em plástico é aplicado na pele do antebraço por 4-5 minutos. Após a retirada e o reaquecimento da pele (cerca de 10 minutos), observa-se a formação de uma pápula urticariforme no local exato do contato. Casos sistêmicos podem ocorrer em exposições extensas.

Por que o mergulho em água fria é perigoso nesses pacientes?

O mergulho em água fria causa uma exposição corporal total e súbita ao estímulo térmico. Isso pode levar a uma degranulação sistêmica massiva de mastócitos, resultando em anafilaxia. Os sintomas incluem hipotensão, perda de consciência, angioedema e obstrução de vias aéreas. É uma causa importante de afogamento secundário a choque anafilático, exigindo orientação rigorosa para que esses pacientes evitem banhos de mar, cachoeira ou piscina desacompanhados.

Qual a dose e via da adrenalina na anafilaxia pediátrica?

Na anafilaxia, a adrenalina (epinefrina) deve ser administrada imediatamente. A via preferencial é a intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa, na concentração de 1:1000 (1mg/mL). A dose para crianças é de 0,01 mg/kg, até o máximo de 0,3 mg por dose. Embora algumas provas citem a via subcutânea, a IM é superior devido à absorção mais rápida e níveis plasmáticos mais consistentes, sendo crucial para reverter o colapso circulatório rapidamente.

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