Urticária Crônica: Diagnóstico e Manejo do Dermografismo

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 28 anos, refere prurido recorrente há 2 anos associado ao surgimento de lesões papulosas, pruriginosas e lineares em áreas de atrito. Relata também surgimento de pápulas eritematosas pruriginosas recorrentes de caráter migratório, que não deixam cicatrizes, sem fatores desencadeantes evidentes nesse mesmo período. Encontra-se em uso de fexofenadina 180mg/dia há cerca de um mês, sem controle dos sintomas. No momento da consulta apresenta prurido classificado como grave. Ao exame apresenta 40 urticas disseminadas em dorso, abdome e membros inferiores. Teste de provocação com FricTest® em dorso: lesão pápulo-linear com 5 mm. A respeito do caso acima assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Devem ser associados anti-histamínicos de gerações diferentes para controle dos sintomas.
  2. B) Deve-se associar o omalizumabe 300mg a cada 4 semanas por 1 ano.
  3. C) A avaliação laboratorial inicial de rotina deve conter os seguintes exames: hemograma completo, VHS, PCR, FAN e IgE total.
  4. D) A paciente tem diagnóstico de urticária crônica espontânea e dermografismo.

Pérola Clínica

Urticária Crônica: >6 semanas, urticas/angioedema. Dermografismo = urticária física por pressão.

Resumo-Chave

A paciente apresenta urticária há mais de 6 semanas (crônica) com urticas e prurido, sem desencadeante claro (espontânea). O FricTest® positivo confirma o dermografismo, uma forma de urticária física. A falha da fexofenadina em dose padrão indica refratariedade.

Contexto Educacional

A urticária crônica é definida pela presença de urticas e/ou angioedema por mais de seis semanas, com ocorrência diária ou quase diária. Afeta cerca de 0,5% a 1% da população, impactando significativamente a qualidade de vida. Pode ser classificada como espontânea (sem causa identificável) ou induzível (desencadeada por fatores físicos ou outros estímulos). O dermografismo é a forma mais comum de urticária física, caracterizada pelo surgimento de lesões lineares pruriginosas após o atrito na pele. O diagnóstico da urticária crônica é essencialmente clínico. A história detalhada do paciente, incluindo a frequência, duração e características das lesões, bem como a presença de fatores desencadeantes, é crucial. Testes de provocação, como o FricTest® para dermografismo, são úteis para identificar urticárias induzíveis. A avaliação laboratorial inicial deve ser direcionada e não extensa, focando em excluir causas secundárias quando houver suspeita clínica, como doenças autoimunes ou infecções. O tratamento da urticária crônica inicia-se com anti-histamínicos de segunda geração em doses padrão. Se os sintomas persistirem, a dose pode ser aumentada em até quatro vezes. Para casos refratários a anti-histamínicos em doses elevadas, o omalizumabe (anti-IgE) é uma opção terapêutica eficaz, seguido por ciclosporina em casos selecionados. É importante ressaltar que a associação de anti-histamínicos de gerações diferentes não é recomendada, e a IgE total raramente tem relevância diagnóstica na urticária crônica espontânea.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de urticária crônica?

O diagnóstico é clínico, baseado na presença de urticas e/ou angioedema por mais de 6 semanas, com ou sem desencadeantes conhecidos.

O que é dermografismo e como é diagnosticado?

Dermografismo é uma forma de urticária física onde a pressão ou atrito na pele causa o surgimento de pápulas lineares pruriginosas, diagnosticado pelo teste de provocação (FricTest®).

Qual a conduta inicial para urticária crônica refratária a anti-histamínicos?

A primeira linha de tratamento para urticária crônica é o uso de anti-histamínicos de segunda geração em doses elevadas (até 4x a dose padrão). Em casos refratários, pode-se considerar omalizumabe ou ciclosporina.

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