Investigação Diagnóstica na Urticária Crônica Espontânea

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 45 anos apresenta urticária com angioedema há 8 meses, com lesões diárias que duram menos de 24 horas. Nega uso de medicamentos contínuos ou outras comorbidades. Exame físico atual sem lesões ativas. Na investigação diagnóstica da urticária crônica espontânea (UCE), alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O teste do soro autólogo positivo indica presença de autoanticorpos anti-FcεRIα funcionalmente ativos, sendo diagnóstico definitivo de UCE autoimune.
  2. B) A biópsia cutânea da lesão urticariforme é mandatória para confirmação diagnóstica e exclusão de vasculite urticariforme.
  3. C) A presença de anticorpos anti-tireoperoxidase em títulos elevados sugere associação com autoimunidade, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de UCE autoimune.
  4. D) O teste de ativação dos basófilos (BAT) negativo exclui definitivamente o diagnóstico de UCE autoimune, dispensando investigação adicional.
  5. E) A dosagem sérica de proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação elevadas sugerem fortemente o diagnóstico de UCE autoimune tipo IIb.

Pérola Clínica

UCE + Anti-TPO elevado → Sugere autoimunidade associada, mas não confirma isoladamente UCE tipo IIb.

Resumo-Chave

O diagnóstico da UCE é clínico; exames laboratoriais como Anti-TPO e teste do soro autólogo auxiliam na identificação de componentes autoimunes, mas não são definitivos isoladamente.

Contexto Educacional

A Urticária Crônica Espontânea (UCE) é definida pela presença de urticas e/ou angioedema por um período superior a 6 semanas, sem um gatilho externo identificável. A fisiopatologia envolve a desgranulação de mastócitos cutâneos. A investigação laboratorial mínima recomendada inclui hemograma e marcadores inflamatórios (VHS/PCR). Testes adicionais para autoimunidade são úteis em casos refratários para fenotipagem do paciente, mas não devem atrasar o início do tratamento escalonado com anti-histamínicos de segunda geração.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre Anti-TPO e Urticária Crônica Espontânea?

Pacientes com UCE apresentam uma frequência maior de autoanticorpos tireoidianos (como Anti-TPO) em comparação com a população geral. Embora sua presença sugira um background de autoimunidade, eles não são patogênicos para a pele nem confirmam que a urticária é causada pela tireoidite. Eles servem como marcadores de um fenótipo de UCE que pode ser mais difícil de tratar.

O que é a UCE autoimune tipo IIb?

A UCE tipo IIb é caracterizada pela presença de autoanticorpos IgG contra o receptor de alta afinidade da IgE (FcεRI) ou contra a própria IgE nos mastócitos. O teste de ativação de basófilos (BAT) e o teste do soro autólogo (ASST) são ferramentas para investigar esse mecanismo, mas o diagnóstico definitivo de 'autoimune' é complexo e muitas vezes baseado em critérios de pesquisa.

Quando suspeitar de vasculite urticariforme?

Deve-se suspeitar de vasculite quando as lesões de urticária duram mais de 24 horas no mesmo local, são dolorosas ou deixam hiperpigmentação residual (púrpura). Nesses casos, a biópsia cutânea é mandatória para confirmar a inflamação vascular, diferentemente da UCE típica onde a biópsia mostra apenas edema dérmico e infiltrado perivascular inespecífico.

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