UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, 6 anos, com história de urticária a amendoim, é admitido com urticas generalizadas e edema em ambas as pálpebras que se iniciaram há 40 minutos, aproximadamente 10 minutos após ter ingerido um bolo que supostamente não continha amendoim. A conduta terapêutica mais adequada é:
Urticária e angioedema isolados, sem comprometimento respiratório ou hemodinâmico → tratamento com anti-histamínico e observação.
A adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia, uma reação sistêmica grave. Em casos de urticária e/ou angioedema restritos à pele e mucosas, sem sinais de alerta como dispneia, estridor ou hipotensão, o manejo inicial é feito com anti-histamínicos H1.
As reações de hipersensibilidade imediata, mediadas por IgE, apresentam um espectro de gravidade que vai desde manifestações cutâneas localizadas até a anafilaxia, uma emergência médica potencialmente fatal. Urticária (placas eritematosas, edematosas e pruriginosas) e angioedema (edema de derme profunda e subcutâneo) são as manifestações mais comuns. O ponto crucial no manejo é diferenciar uma reação restrita à pele e mucosas de uma reação sistêmica (anafilaxia). A anafilaxia é definida pelo envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, mais comumente o respiratório (broncoespasmo, edema de laringe) e o cardiovascular (hipotensão, taquicardia). A presença de urticária e angioedema isolados, como no caso descrito, não constitui anafilaxia. O tratamento deve ser escalonado conforme a gravidade. Para urticária e angioedema isolados, a terapia de primeira linha são os anti-histamínicos H1 não sedantes. O paciente deve ser mantido em observação para garantir que não haja progressão para anafilaxia. A adrenalina intramuscular é o pilar do tratamento da anafilaxia e deve ser administrada imediatamente ao seu reconhecimento, pois reverte a vasodilatação, o broncoespasmo e o edema de vias aéreas, sendo a única medicação que salva vidas nesse cenário.
Sinais de alerta incluem dificuldade para respirar (dispneia, estridor, sibilância), tosse persistente, rouquidão, tontura, síncope, hipotensão, vômitos repetidos ou dor abdominal intensa. A presença de sintomas em dois ou mais sistemas orgânicos após exposição a um alérgeno define anafilaxia.
A conduta imediata é a administração de adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa (dose de 0.01 mg/kg, máx. 0.5 mg). Em seguida, deve-se posicionar o paciente, ofertar oxigênio e considerar fluidos intravenosos, anti-histamínicos e corticoides como terapias de segunda linha.
Corticoides não são a primeira linha para o tratamento agudo, pois seu início de ação é lento (4 a 6 horas). Eles são usados como terapia adjuvante para prevenir ou tratar reações tardias ou bifásicas, mas nunca devem substituir os anti-histamínicos (na urticária) ou a adrenalina (na anafilaxia) na fase aguda.
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