Urticária Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Conduta

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Criança de 8 anos de idade foi levada pelos pais à emergência devido ao aparecimento de lesões cutâneas pruriginosas pelo corpo. Ao exame, a paciente apresentou sinais vitais adequados e as lesões foram caracterizadas como placas avermelhadas, com vergões na região de tronco e membros, sem presença de angioedema. A paciente teve um trauma leve no joelho, enquanto andava de bicicleta. Os pais relataram ter administrado de ibuprofeno para dor, uma hora antes do início do início das lesões. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta adequada:

Alternativas

  1. A) Anafilaxia, realizar monitorização do paciente e administrar adrenalina via intramuscular.
  2. B) Exantema viral, prescrever anti-histamínicos apenas em caso de prurido intenso.
  3. C) Eritema multiforme, iniciar corticosteroides.
  4. D) Urticária aguda, realizar prescrição de anti-histamínicos de segunda geração. E) Ptiríase rósea, orientar sobre benignidade do quadro e prescrever corticoide.

Pérola Clínica

Urticária isolada sem sinais sistêmicos → Anti-histamínicos H1 de 2ª geração (não sedantes).

Resumo-Chave

A urticária aguda é definida por lesões papulares eritematosas e pruriginosas que duram menos de 6 semanas. Em pediatria, o uso de AINEs como o ibuprofeno é um gatilho comum, e o tratamento de escolha são os anti-histamínicos de segunda geração devido ao melhor perfil de segurança.

Contexto Educacional

A urticária aguda é uma das queixas dermatológicas mais comuns em prontos-socorros pediátricos. Caracteriza-se por pápulas ou placas eritematosas, edematosas e intensamente pruriginosas, que apresentam natureza efêmera (desaparecem em menos de 24 horas de um local, podendo surgir em outro). O diagnóstico é eminentemente clínico. A investigação laboratorial raramente é necessária em quadros agudos, a menos que haja suspeita de doenças sistêmicas subjacentes. O manejo foca no controle dos sintomas e na identificação de gatilhos, sendo os anti-histamínicos H1 de segunda geração a base da terapia por até 2 a 4 semanas ou até a resolução do quadro.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença no tratamento da urticária e da anafilaxia?

A urticária aguda manifesta-se apenas com lesões cutâneas (vergões e prurido) e é tratada com anti-histamínicos H1 de segunda geração. A anafilaxia é uma reação sistêmica grave que envolve pelo menos dois sistemas (ex: cutâneo + respiratório ou circulatório) ou hipotensão isolada após exposição a alérgeno conhecido, exigindo administração imediata de adrenalina intramuscular como primeira linha de tratamento.

Por que preferir anti-histamínicos de segunda geração em crianças?

Os anti-histamínicos de segunda geração (como desloratadina, cetirizina e fexofenadina) são preferidos porque possuem maior seletividade pelos receptores H1 periféricos, atravessam minimamente a barreira hematoencefálica e, portanto, causam menos sedação e efeitos anticolinérgicos (boca seca, retenção urinária) do que os de primeira geração (como hidroxizina ou difenidramina), além de possuírem posologia mais confortável.

O ibuprofeno pode causar urticária sem ser alergia real?

Sim, os AINEs podem causar urticária por mecanismos não imunológicos (pseudoalergia) através da inibição da COX-1, o que desvia o metabolismo do ácido araquidônico para a via das lipoxigenases, aumentando a produção de leucotrienos pró-inflamatórios que induzem a degranulação de mastócitos, simulando uma reação de hipersensibilidade tipo I.

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