MedEvo Simulado — Prova 2026
Samuel, um menino de 5 anos de idade, é levado ao pronto-atendimento por sua mãe devido ao aparecimento súbito de placas avermelhadas e elevadas, intensamente pruriginosas, espalhadas pelo tronco e membros, além de inchaço considerável nas pálpebras e no lábio superior. O quadro iniciou-se há 40 minutos, logo após a ingestão de um biscoito artesanal. A mãe relata que administrou uma dose de dexametasona oral em casa há 20 minutos, porém não observou melhora da coceira ou do inchaço. Ao exame físico, o paciente encontra-se alerta, corado, sem sinais de desconforto respiratório, com ausculta pulmonar livre e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. A frequência cardíaca é de 105 bpm, a frequência respiratória é de 22 irpm e a saturação de oxigênio é de 98% em ar ambiente. Com base nas diretrizes atuais para o manejo de urgências alérgicas na pediatria, a conduta medicamentosa mais adequada para o controle dos sintomas cutâneos é:
Urticária/angioedema sem sinais sistêmicos → Anti-histamínico H1 de 2ª geração (ex: Cetirizina).
O tratamento de escolha para sintomas cutâneos isolados de alergia são os anti-histamínicos H1. Corticoides demoram a agir e não são primeira linha para prurido agudo.
A urticária aguda e o angioedema são manifestações comuns de hipersensibilidade imediata mediada por IgE em pediatria, frequentemente desencadeadas por alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. O diagnóstico é clínico, caracterizado por placas eritematosas, pruriginosas e evanescentes (urticária) ou edema de derme profunda e tecidos subcutâneos (angioedema). A prioridade inicial no pronto-atendimento é excluir anafilaxia, avaliando sinais de obstrução de vias aéreas superiores (estridor), broncoespasmo (sibilos) ou choque. Na ausência de comprometimento sistêmico, o tratamento foca no bloqueio dos receptores H1 de histamina. Os anti-histamínicos de segunda geração são a base da terapia por sua eficácia e segurança. É importante orientar os pais que o angioedema pode demorar mais para regredir que as urticárias e que a observação clínica é necessária para garantir que a reação não evolua para um quadro anafilático tardio ou bifásico.
A adrenalina (epinefrina) intramuscular é o tratamento de primeira linha apenas na anafilaxia, definida pelo envolvimento de dois ou mais sistemas (ex: cutâneo e respiratório) ou hipotensão após exposição a alérgeno. No caso de Bernardo, os sintomas são puramente cutâneos (urticária e angioedema) com estabilidade hemodinâmica e respiratória, portanto, a adrenalina não está indicada neste momento.
Anti-histamínicos de 2ª geração, como a cetirizina, são preferidos por possuírem maior seletividade pelos receptores H1 periféricos, maior tempo de meia-vida e significativamente menos efeitos colaterais sedativos e anticolinérgicos em comparação aos de 1ª geração (como a prometazina). Eles são altamente eficazes no controle do prurido e na redução das lesões urticariformes.
Os corticoides (como a dexametasona) têm início de ação lento (4-6 horas) e não bloqueiam a liberação imediata de histamina pelos mastócitos. Eles podem ser usados para prevenir reações tardias ou em casos de urticária refratária, mas não são a droga de escolha para o alívio imediato do prurido ou do angioedema agudo na sala de emergência.
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