FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Mulher, 34 anos, portadora de litíase renal de repetição, com quadro há dois dias de febre alta, dor lombar à direita, náuseas, vômitos e decaimento do estado geral. PA 80/45 mmHg; FC 120 bpm; FR 24 irpm; T = 39,8°C; SatPO2 em ar ambiente = 99%. USG realizada no setor de pronto-atendimento mostrou dilatação pielocalicial à direita, com cálculo medindo cerca de 08 mm encravado na junção ureteropiélica (JUP). A paciente foi submetida à expansão volêmica, coleta de amostras para hemoculturas e urocultura e início de antibioticoterapia parenteral com cefotaxima 02g a cada 08 horas. Após expansão volêmica a PA ficou em 108/80 mmHg. A conduta para esta paciente deverá ser melhorada através:
Urosepse com obstrução urinária → Drenagem de urgência (cateter duplo J ou nefrostomia) + ATB + suporte.
Em casos de urosepse com obstrução do trato urinário (como cálculo encravado), a prioridade, após estabilização hemodinâmica inicial e antibioticoterapia, é a drenagem urgente da via urinária para aliviar a pressão e o foco infeccioso. Isso é feito com cateter duplo J ou nefrostomia percutânea.
A urosepse obstrutiva é uma emergência urológica que demanda reconhecimento e intervenção rápidos para evitar morbimortalidade significativa. Caracteriza-se por uma infecção do trato urinário superior (pielonefrite) associada a uma obstrução, geralmente por um cálculo, que impede a drenagem da urina infectada. Essa condição pode rapidamente progredir para choque séptico, falência de múltiplos órgãos e óbito, se não tratada adequadamente. A epidemiologia da litíase renal é ampla, e a complicação infecciosa é uma das mais graves. O diagnóstico é baseado na tríade clínica de febre, dor lombar e evidência de obstrução urinária (hidronefrose) em exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia. A presença de sinais de sepse (taquicardia, taquipneia, hipotensão, disfunção orgânica) confirma a gravidade. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana na urina estagnada sob pressão, levando à translocação bacteriana para a corrente sanguínea e resposta inflamatória sistêmica. O tratamento da urosepse obstrutiva é uma emergência médica e cirúrgica. Após a estabilização inicial do paciente com fluidos intravenosos e antibioticoterapia empírica de amplo espectro (que cubra gram-negativos e, se necessário, gram-positivos), a medida mais importante é a drenagem urgente da via urinária. Isso pode ser realizado por meio da inserção de um cateter ureteral tipo duplo J, que permite o fluxo de urina do rim para a bexiga, ou por uma nefrostomia percutânea, que drena a urina diretamente do rim para o exterior. A remoção definitiva do cálculo (por litotripsia ou cirurgia) é postergada para um momento em que o paciente esteja estável e a infecção controlada. A falha em drenar a via urinária pode levar a um desfecho fatal, mesmo com a melhor antibioticoterapia.
Os sinais de urosepse obstrutiva incluem febre alta, calafrios, dor lombar intensa, náuseas, vômitos e sinais de sepse ou choque séptico (hipotensão, taquicardia, taquipneia), associados a evidência de obstrução urinária, como hidronefrose por cálculo.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (expansão volêmica), coleta de culturas (hemocultura e urocultura) e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. No entanto, a medida mais crítica é a drenagem urgente da via urinária obstruída.
A drenagem urinária é crucial porque a obstrução impede a eliminação de urina infectada, criando um ambiente de alta pressão que favorece a bacteremia e a progressão da sepse. A desobstrução alivia a pressão, permite o fluxo urinário e facilita a ação dos antibióticos, controlando o foco infeccioso.
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