Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2020
Homem de 30 anos tem história de nefrolitíase assintomática em rim direito. Evolui com febre de 40º e dor intensa em flanco direito há doze horas. Ao exame: Giordano positivo à direita, regular estado geral, frequência cardíaca de 120 BPM, pressão arterial de 90x60 mmHg, saturação de O₂ = 90% em ar ambiente. Nos exames laboratoriais, observam-se hemoglobina de 13,5 g/dL, leucócitos de 20.500/mm³, plaquetas de 250 mil /mm³, ureia de 60 mg/dL; creatinina de 0,9 mg/dL. Após melhora dos parâmetros hemodinâmicos, foi realizada tomografia de abdome que revelou hidronefrose à direita, com cálculo de 5 mm impactado em ureter proximal direito. Além de reposição volêmica, coleta de culturas, início de antibioticoterapia empírica e cuidados de terapia intensiva, indica-se:
Urosepse obstrutiva com cálculo ureteral → desobstrução urinária de urgência para controle do foco infeccioso.
A presença de cálculo ureteral com sinais de sepse (febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose) e hidronefrose configura uma urosepse obstrutiva. Nesses casos, a desobstrução da via urinária é uma urgência para drenar a urina infectada e controlar a sepse, não devendo aguardar melhora do quadro infeccioso.
A urosepse obstrutiva é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela presença de infecção do trato urinário associada à obstrução da via urinária, geralmente por um cálculo. É uma emergência urológica que requer reconhecimento e intervenção rápidos para prevenir a progressão para choque séptico e disfunção de múltiplos órgãos. A epidemiologia está ligada à prevalência de nefrolitíase e infecções urinárias, sendo mais comum em pacientes com fatores de risco como diabetes ou imunossupressão. O diagnóstico da urosepse obstrutiva baseia-se na tríade de febre, dor em flanco e evidência de obstrução urinária (hidronefrose), frequentemente confirmada por exames de imagem como a tomografia computadorizada. Sinais de sepse, como taquicardia, hipotensão, leucocitose e disfunção orgânica, indicam a gravidade do quadro. A suspeita deve ser alta em pacientes com história de nefrolitíase que apresentam febre e dor intensa, especialmente se houver instabilidade hemodinâmica. O tratamento envolve medidas de suporte intensivo, reposição volêmica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e, crucialmente, a desobstrução urinária de urgência. Esta pode ser realizada por meio de um cateter duplo J inserido por via endoscópica ou por uma nefrostomia percutânea, visando drenar a urina infectada e aliviar a pressão no sistema coletor. O prognóstico depende da rapidez e eficácia da intervenção, sendo a desobstrução o pilar para o controle do foco infeccioso e a resolução da sepse.
A urosepse obstrutiva é caracterizada por febre, dor em flanco, sinais de sepse (taquicardia, hipotensão, taquipneia, disfunção orgânica) e evidência de obstrução urinária, como hidronefrose por cálculo.
Além de suporte hemodinâmico, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e coleta de culturas, a conduta mais importante é a desobstrução urinária de urgência, seja por cateter duplo J ou nefrostomia percutânea.
A desobstrução é urgente porque a obstrução impede a drenagem da urina infectada, criando um ambiente de alta pressão que favorece a bacteremia e a progressão da sepse, tornando os antibióticos menos eficazes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo