UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
Paciente de 30 anos apresenta-se ao Pronto Socorro com forte dor lombar a direita associada a febre de 38,5°C, e queda do estado geral e hipotensão arterial. Realizou tomografia de abdome com achado de dilatação ureteropielocalicial a direita com cálculo 09 mm em ureter proximal direita. Entre as alternativas, qual a conduta é contra-indicada?
Urosepse com obstrução urinária → desobstrução imediata (cateter duplo J/nefrostomia) + ATB + suporte; litotripsia é contraindicada na fase aguda.
Em casos de urosepse com obstrução do trato urinário por cálculo, a prioridade é a desobstrução imediata (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) e o início de antibioticoterapia e suporte volêmico. A ureterorrenolitotripsia endoscópica é contraindicada na fase aguda devido ao risco de piora da sepse.
A urosepse é uma condição grave que representa uma das principais causas de sepse de origem infecciosa. Quando associada à obstrução do trato urinário, como por um cálculo ureteral, a situação se torna uma emergência urológica, pois a obstrução impede a drenagem da urina infectada, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana e a translocação de toxinas para a corrente sanguínea. O quadro clínico típico inclui febre alta, calafrios, dor lombar e sinais de resposta inflamatória sistêmica, podendo evoluir rapidamente para choque séptico. O manejo da urosepse obstrutiva exige uma abordagem rápida e agressiva. As prioridades são o controle da infecção e a desobstrução do trato urinário. O início precoce de antibióticos de amplo espectro, guiado por culturas, é fundamental, assim como a reposição volêmica para combater a hipotensão e a disfunção orgânica. A desobstrução pode ser realizada por meio da colocação de um cateter duplo J por via cistoscópica ou por uma nefrostomia percutânea, que permite a drenagem externa da urina infectada. É crucial entender que, na fase aguda da urosepse, procedimentos definitivos para a remoção do cálculo, como a ureterorrenolitotripsia endoscópica ou a litotripsia extracorpórea, são contraindicados. A manipulação do trato urinário inflamado e infectado pode precipitar uma bacteremia maciça e piorar o quadro séptico. A remoção do cálculo deve ser postergada para um momento em que a infecção esteja controlada e o paciente estabilizado, geralmente após alguns dias de antibioticoterapia e drenagem. Residentes devem dominar essa sequência de condutas para evitar complicações graves.
Sinais de alerta incluem febre, calafrios, dor lombar intensa, queda do estado geral, taquicardia, taquipneia e hipotensão arterial, indicando uma infecção sistêmica grave.
A conduta inicial mais importante é a desobstrução urinária de urgência, seja por colocação de cateter duplo J ou nefrostomia percutânea, juntamente com o início precoce de antibióticos de amplo espectro e reposição volêmica.
A ureterorrenolitotripsia endoscópica na fase aguda da urosepse pode disseminar a infecção para a corrente sanguínea, piorando o quadro séptico e aumentando o risco de complicações graves, como choque séptico e falência de múltiplos órgãos.
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