HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2022
Considere que uma paciente do sexo feminino, cinco anos de idade, chega para consulta com história de dor abdominal crônica recorrente e episódios raros de hematúria macroscópica há um ano. Não há história de doenças renais na família e o exame físico é normal. O médico solicita exames de urina, sangue e ultrassonografia considerando peso de 17 kg a estatura de 105 cm. Exame de urina: pH = 6,0; densidade = 1.025; elementos anormais negativo; piócitos = 2/c; hemátias = 5/c; cristais = oxalato de cálcio +++, fosfato amorfo +; flora normal.Urina 24 horas: volume = 400 mL; creatinina = 405 mg/24h; cálcio = 100 mg/24h; citrato = 70 mg/24h; sódio = 205 mEq/24h; potássio = 40 mEq/24h; fosfato = 300 mg/24h; oxalato = 17 mg/24h; cistina = negativo.Sangue: hemograma normal; ureia = 24 mg/dL; creatinina = 0,5 mg/dL; cálcio = 9,8 mg/dL; fósforo = 4,4 mg/dL; cloro = 100 mEq/L; sódio = 140 mEq/L; potássio = 4,2 mEq/L; magnésio = 1,9 mg/dL; ácido úrico = 4,0 mg/dL.Nesse caso, os diagnósticos metabólicos dessa criança são:
Criança com dor abdominal/hematúria + hipercalciúria + hipocitratúria + baixo volume urinário → risco de litíase renal.
A paciente apresenta dor abdominal crônica e hematúria, sugerindo litíase urinária. A análise da urina de 24 horas revela baixo volume urinário, hipercalciúria (100 mg/24h para 17 kg é > 4 mg/kg/24h), hipocitratúria (70 mg/24h é baixo) e hiperexcreção urinária de sódio (205 mEq/24h é alto para a idade/peso), todos fatores de risco para formação de cálculos renais.
A urolitíase pediátrica, embora menos comum que em adultos, tem uma incidência crescente e é uma causa importante de dor abdominal crônica e hematúria em crianças. O diagnóstico precoce e a identificação dos fatores metabólicos são cruciais para prevenir recorrências e danos renais. A etiologia é multifatorial, mas distúrbios metabólicos são a causa mais frequente, especialmente a hipercalciúria idiopática. A fisiopatologia da formação de cálculos envolve um desequilíbrio entre promotores e inibidores da cristalização na urina. A hipercalciúria aumenta a concentração de cálcio, favorecendo a formação de oxalato de cálcio. A hipocitratúria remove um importante inibidor. O baixo volume urinário concentra os solutos, e a alta excreção de sódio pode estar associada a maior excreção de cálcio. A presença de cristais de oxalato de cálcio na urina é um indicativo. O manejo inclui aumento da ingestão hídrica para garantir um volume urinário adequado, modificações dietéticas (redução de sódio e oxalato, ingestão adequada de cálcio) e, em alguns casos, uso de diuréticos tiazídicos para hipercalciúria ou citrato de potássio para hipocitratúria. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento é essencial devido ao risco de recorrência.
Os principais fatores incluem hipercalciúria, hipocitratúria, baixo volume urinário, hiperoxalúria e hiperuricosúria. A presença de cristais de oxalato de cálcio na urina é um achado comum.
Em crianças, a hipercalciúria é geralmente definida como uma excreção urinária de cálcio superior a 4 mg/kg/24h ou uma relação cálcio/creatinina urinária superior a 0,2 mg/mg em amostra isolada.
O citrato é um inibidor natural da formação de cálculos de cálcio, pois se liga ao cálcio e impede sua cristalização. A hipocitratúria, portanto, aumenta o risco de formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo