Urolitíase na Gravidez: Tratamento e Condutas Seguras

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 25 anos, gestante de 14 semanas, procurou o PS com quadro de dor súbita na fossa ilíaca direita, tipo cólica, de forte intensidade e associada à urgência miccional e polaciúria. Nega sangramento vaginal. Afebril. Foi realizado o exame de imagem anexo. O melhor tratamento para o caso é:

Alternativas

  1. A) Expectante
  2. B) Ureterolitotripsia semirrígida
  3. C) Terapia expulsiva
  4. D) LECO

Pérola Clínica

Urolitíase na gestação: LECO contraindicada; Ureterolitotripsia semirrígida é opção segura para cálculos obstrutivos.

Resumo-Chave

A urolitíase na gravidez é uma condição desafiadora devido à necessidade de proteger o feto. Enquanto a terapia expulsiva e a LECO (Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque) são geralmente contraindicadas ou limitadas, a ureterolitotripsia semirrígida (ureteroscopia) é considerada um método seguro e eficaz para a remoção de cálculos ureterais obstrutivos e sintomáticos, especialmente no segundo e terceiro trimestres, minimizando a exposição à radiação.

Contexto Educacional

A urolitíase é a principal causa não obstétrica de dor abdominal e hospitalização durante a gravidez, afetando cerca de 1 em 1500 gestações. A fisiologia da gravidez, com estase urinária e aumento da excreção de cálcio, pode predispor à formação de cálculos. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser confundidos com outras condições gestacionais, e a escolha dos exames de imagem deve minimizar a exposição fetal à radiação, sendo a ultrassonografia a primeira linha. O manejo da urolitíase em gestantes visa aliviar a dor, tratar a infecção (se presente) e resolver a obstrução, sempre com a segurança materno-fetal em mente. Inicialmente, tenta-se o manejo conservador com hidratação e analgesia. No entanto, se houver dor intratável, infecção associada, obstrução persistente ou insuficiência renal, a intervenção é necessária. As opções de tratamento intervencionista incluem a colocação de cateter duplo J para descompressão do sistema coletor ou a ureterolitotripsia semirrígida (ureteroscopia), que permite a remoção direta do cálculo. A ureteroscopia é considerada segura em todos os trimestres da gravidez, com baixas taxas de complicação maternas e fetais, e é preferível à Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO), que é contraindicada. A escolha da técnica depende da localização e tamanho do cálculo, bem como da experiência do cirurgião.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de urolitíase em gestantes?

Os sintomas incluem dor súbita e intensa na região lombar ou fossa ilíaca (cólica renal), que pode irradiar para a virilha, urgência miccional, polaciúria, disúria, hematúria e, ocasionalmente, náuseas e vômitos. É importante diferenciar de outras causas de dor abdominal na gravidez.

Por que a LECO é contraindicada na gravidez para tratamento de cálculos renais?

A Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO) é contraindicada na gravidez devido ao risco de danos diretos ao feto pela energia das ondas de choque, além da exposição à radiação ionizante durante o procedimento, que pode ser prejudicial ao desenvolvimento fetal.

Qual é o tratamento de escolha para cálculos ureterais obstrutivos em gestantes?

Para cálculos ureterais obstrutivos e sintomáticos em gestantes que não respondem ao tratamento conservador, a ureterolitotripsia semirrígida (ureteroscopia com litotripsia a laser) é o tratamento de escolha. Outras opções incluem a colocação de cateter duplo J para desobstrução temporária.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo