Urgência Hipertensiva por Cocaína: Manejo e Drogas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 25 anos de idade, é atendida no PS com PA = 180/100 mmHg após ter utilizado cocaína. Nega comorbidades e não apresenta disfunções orgânicas. Qual é a droga de escolha para tratar essa urgência hipertensiva?

Alternativas

  1. A) Captopril.
  2. B) Nitroprussiato de sódio.
  3. C) Propranolol.
  4. D) Diazepam.

Pérola Clínica

Urgência hipertensiva por cocaína: Diazepam é a droga de escolha para sedação e controle da hiperatividade simpática. Beta-bloqueadores são contraindicados.

Resumo-Chave

A urgência hipertensiva induzida por cocaína é causada por hiperatividade simpática. O tratamento visa reduzir essa atividade, sendo o diazepam (um benzodiazepínico) a droga de escolha para sedação e controle da pressão. Beta-bloqueadores são contraindicados devido ao risco de vasoconstrição coronariana e sistêmica não oposta.

Contexto Educacional

A urgência hipertensiva induzida por cocaína é uma manifestação comum da intoxicação por essa substância, caracterizada por elevação significativa da pressão arterial sem evidência de lesão de órgão-alvo aguda. A cocaína atua como um potente simpaticomimético, bloqueando a recaptação de catecolaminas (noradrenalina, dopamina e serotonina) nas fendas sinápticas, resultando em um aumento da atividade adrenérgica. Isso leva a vasoconstrição periférica e coronariana, aumento da frequência cardíaca e da contratilidade miocárdica, elevando a pressão arterial. O manejo inicial visa controlar a agitação e a hiperatividade simpática. Os benzodiazepínicos, como o diazepam ou lorazepam, são a droga de escolha, pois promovem sedação, ansiólise e reduzem a liberação de catecolaminas, levando a uma diminuição gradual da pressão arterial. É crucial evitar o uso de beta-bloqueadores (como propranolol) no tratamento da hipertensão induzida por cocaína, pois o bloqueio dos receptores beta-adrenérgicos pode deixar os receptores alfa-adrenérgicos desimpedidos, resultando em vasoconstrição não oposta e piora da hipertensão e da isquemia miocárdica. Em casos de emergência hipertensiva (com lesão de órgão-alvo), outros agentes como nitratos (nitroprussiato de sódio, nitroglicerina) ou bloqueadores alfa-adrenérgicos (fentolamina) podem ser considerados, sempre com cautela e monitorização intensiva. O tratamento da urgência hipertensiva por cocaína é um exemplo clássico onde a fisiopatologia guia a escolha terapêutica, destacando a importância de entender os mecanismos de ação das drogas.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da crise hipertensiva induzida por cocaína?

A cocaína inibe a recaptação de noradrenalina, dopamina e serotonina, resultando em um aumento da atividade simpática, com vasoconstrição, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Por que o diazepam é a droga de escolha para urgência hipertensiva por cocaína?

O diazepam, um benzodiazepínico, atua sedando o paciente e reduzindo a hiperatividade simpática, o que leva à diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial de forma segura.

Quais medicamentos são contraindicados na hipertensão induzida por cocaína e por quê?

Beta-bloqueadores (como propranolol) são contraindicados porque bloqueiam os receptores beta-adrenérgicos, deixando os receptores alfa-adrenérgicos desimpedidos, o que pode levar a uma vasoconstrição coronariana e sistêmica não oposta e piorar a hipertensão e a isquemia.

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