HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Homem de 64 anos de idade apresenta exacerbação de gota envolvendo o pé direito. Ele relata sua dor como 9 em 10, apesar de ter tomado naproxeno. Nega dor torácica, dispneia, cefaleia, alteração visual ou sintomas urinários. Não há outros antecedentes patológicos além de gota. Exame físico: alerta, orientado e consciente; afebril, eupneico, corado e anictérico; pressão arterial: 200 x 105 mmHg, pulso: 82 bpm e frequência respiratória: 16 ipm; cardiopulmonar: nada digno de nota; pulsos palpáveis e simétricos. Em relação ao caso clínico descrito, constitui uma afirmação correta acerca do manuseio inicial:
PA elevada sem lesão de órgão-alvo aguda = urgência hipertensiva; tratar gradualmente, priorizar causa da dor.
A pressão arterial de 200 x 105 mmHg, na ausência de sintomas ou sinais de lesão de órgão-alvo aguda, configura uma urgência hipertensiva. O tratamento deve ser gradual, geralmente com medicação oral, e a prioridade inicial é o manejo da dor aguda da gota. Não há indicação para anti-hipertensivos parenterais ou internação em UTI neste cenário.
A distinção entre urgência e emergência hipertensiva é um conceito fundamental na prática médica, especialmente para residentes. Embora o paciente apresente uma pressão arterial elevada (200 x 105 mmHg), a ausência de sintomas ou sinais de lesão aguda de órgão-alvo (como dor torácica, dispneia, alterações neurológicas ou visuais) classifica o quadro como uma urgência hipertensiva. Em uma urgência hipertensiva, o tratamento visa uma redução gradual da pressão arterial ao longo de 24 a 48 horas, geralmente com medicamentos anti-hipertensivos orais. Uma redução muito rápida pode levar à hipoperfusão de órgãos vitais. A prioridade inicial neste caso é o alívio da dor intensa da gota, que pode estar contribuindo para a elevação da pressão arterial devido ao estresse e à dor. O naproxeno, um AINE, já estava sendo usado, mas outras opções para gota aguda incluem colchicina ou corticosteroides. Não há indicação para internação em UTI, uso de anti-hipertensivos parenterais ou sublinguais para uma urgência hipertensiva. A conduta deve ser focada no tratamento da gota e no início ou ajuste de medicação anti-hipertensiva oral, com reavaliação em algumas horas ou dias. É crucial evitar a supertratamento e os riscos associados à redução abrupta da pressão arterial.
A urgência hipertensiva é caracterizada por elevação grave da pressão arterial (PA > 180/120 mmHg) sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo. A emergência hipertensiva, por sua vez, apresenta elevação grave da PA acompanhada de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo (ex: encefalopatia, edema agudo de pulmão, dissecção aórtica), exigindo redução imediata da PA.
Na urgência hipertensiva, o objetivo é reduzir a pressão arterial gradualmente em 24-48 horas, geralmente com medicação anti-hipertensiva oral. Não há necessidade de redução imediata ou parenteral, e a prioridade é evitar quedas bruscas que possam comprometer a perfusão de órgãos.
O manejo da gota aguda inclui AINEs (se não houver contraindicações), colchicina ou corticosteroides. Em pacientes hipertensos, deve-se ter cautela com AINEs devido ao risco de elevação da PA e lesão renal. A escolha do anti-hipertensivo deve considerar a interação com medicamentos para gota e o perfil do paciente.
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