HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 89 anos de idade, está internado na enfermaria para tratar uma erisipela no membro inferior direito. Está no segundo dia de antibioticoterapia, com boa resposta clínica. Tem antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2 e hiperplasia prostática benigna, com uso de enalapril 20mg/dia, doxazosina 4mg/dia e metformina 1g/dia, todas já reconciliadas nessa internação. À noite, o paciente apresentou um pico pressórico de 178x100mmHg, confirmado em três medidas. Na avaliação clínica, está assintomático e sem outras alterações ao exame físico. Além de solicitar exames laboratoriais, eletrocardiograma e radiografia de tórax, qual é a conduta recomendada?
Pico pressórico assintomático em paciente estável → reavaliar PA em 2-4h, sem medicação imediata.
Um pico pressórico isolado em paciente assintomático, sem evidência de lesão de órgão-alvo, é considerado uma urgência hipertensiva (ou nem isso, apenas uma elevação transitória) e não requer intervenção medicamentosa imediata. A conduta inicial é observação e reavaliação.
A avaliação de um pico pressórico em pacientes internados, especialmente idosos com múltiplas comorbidades, exige discernimento clínico. É fundamental diferenciar uma elevação transitória da pressão arterial de uma urgência ou emergência hipertensiva, sendo esta última definida pela presença de lesão de órgão-alvo aguda e progressiva. No caso de um paciente assintomático, sem sinais de lesão de órgão-alvo (como alterações neurológicas, dor torácica, dispneia), a elevação da pressão arterial é classificada como urgência hipertensiva ou, muitas vezes, apenas uma elevação reativa. A conduta inicial não é a administração imediata de anti-hipertensivos, mas sim a observação, reavaliação e identificação de fatores precipitantes. O tratamento agressivo de picos pressóricos assintomáticos, particularmente com medicações de ação rápida, pode ser deletério, levando a quedas abruptas da pressão arterial, hipotensão e isquemia de órgãos. Em idosos, a autorregulação cerebral e renal pode estar comprometida, tornando-os mais vulneráveis a esses efeitos adversos. A otimização da terapia anti-hipertensiva de base e a investigação de causas secundárias são mais apropriadas.
A urgência hipertensiva é uma elevação grave da pressão arterial sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo, enquanto a emergência hipertensiva é uma elevação grave da PA associada a lesão aguda e progressiva de órgão-alvo, exigindo redução imediata da pressão.
Um pico pressórico assintomático geralmente não requer tratamento imediato. A conduta é observar, reavaliar em algumas horas e investigar fatores precipitantes, ajustando a medicação oral se necessário. Tratamento imediato é reservado para emergências hipertensivas.
Tratar agressivamente a hipertensão em idosos pode levar a hipotensão ortostática, quedas, hipoperfusão cerebral e renal, com risco de AVC isquêmico, infarto agudo do miocárdio ou lesão renal aguda, devido à alteração na autorregulação.
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