Manejo da Urgência Hipertensiva e Retinopatia Grau III

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 48 anos de idade, tabagista, etilista social, com histórico de hipertensão arterial não controlada, compareceu ao pronto atendimento com queixa de cefaleia occipital de início recente, especialmente ao acordar. Referiu que, há um mês, apresenta episódios de(epistaxe espontânea). Ao exame físico, apresentou PA 190 mmHg X 120 mmHg em ambos os braços, FC 84 bpm, FR- 16 irpm e SatO2-97%. O fundo de olho mostrou sinais de retinopatia hipertensiva grau III.\n\nQual é a melhor estratégia terapêutica inicial para o paciente do caso clínico em análise?

Alternativas

  1. A) Reduzir a PA rapidamente com nitroprussiato intravenoso em menos de uma hora.
  2. B) Controlar gradualmente a PA com bloqueadores de canais de cálcio e ajustar os antihipertensivos orais.
  3. C) Realizar hemodiálise de urgência para reduzir a PA de forma indireta.
  4. D) Utilizar betabloqueadores intravenosos isolados para normalizar a PA. Atenção: Caso clínico para responder às questões de 4 a 6. Uma paciente de 65 anos de idade, com histórico de (hipertensão e diabetes) procurou atendimento com dispneia progressiva nos últimos seis meses, ortopneia e episódios de edema em membros inferiores. Relatou que o quadro piorou nas últimas 24 horas, com necessidade de dormir sentada. Ao exame físico, a paciente apresentou FC = 110 bpm, FR 24 irpm, SatO2 = 91%, em ar ambiente e PA = 140 mmHg X 90 mmHg. Mostrou também estase jugular positiva a 45°, hepatomegalia palpável, edema +3 em membros inferiores e crepitantes bibasais na ausculta pulmonar. O ecocardiograma evidenciou fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (35%).

Pérola Clínica

Retinopatia III (sem papiledema) + Estabilidade → Controle gradual da PA com anti-hipertensivos orais.

Resumo-Chave

A urgência hipertensiva (PA elevada sem lesão de órgão-alvo aguda fatal) deve ser tratada com redução gradual da PA em 24-48h usando medicação oral.

Contexto Educacional

O paciente apresenta uma crise hipertensiva caracterizada por PA 190/120 mmHg e retinopatia grau III (exsudatos/hemorragias). Embora a retinopatia grau III indique lesão de órgão-alvo, na ausência de sintomas neurológicos agudos, insuficiência cardíaca descompensada ou papiledema (grau IV), o quadro é frequentemente manejado como urgência ou hipertensão grave não controlada. \n\nA estratégia recomendada é o controle gradual da pressão arterial em ambiente ambulatorial ou de observação, utilizando medicações por via oral (como bloqueadores de canais de cálcio ou IECA) para evitar quedas abruptas que poderiam comprometer a perfusão de órgãos vitais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre urgência e emergência hipertensiva?

A emergência hipertensiva envolve elevação da PA com lesão de órgão-alvo aguda e progressiva (ex: edema agudo de pulmão, AVC, dissecção de aorta), exigindo redução imediata com drogas IV. A urgência não apresenta risco iminente de morte, permitindo controle gradual oral.

Como classificar a retinopatia hipertensiva?

Grau I: Estreitamento arteriolar; Grau II: Cruzamentos arteriovenosos patológicos; Grau III: Hemorragias e/ou exsudatos algodonosos; Grau IV: Papiledema (sinal de hipertensão maligna/emergência).

Por que o controle deve ser gradual?

A autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral em hipertensos crônicos está deslocada para níveis mais altos. Uma queda brusca da PA pode reduzir a pressão de perfusão cerebral abaixo do limite crítico, resultando em isquemia.

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