PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Mulher de 43 anos é levada a UPA por policiais, queixando-se de cefaleia holocraniana moderada que iniciou há 45 minutos, após ser assaltada em via pública. Nega quaisquer outras queixas. É hipertensa e faz uso irregular de anlodipino e enalapril. Ao exame físico, apresenta PA 190/120mmHg, FC 104bpm, FR 21irpm, SpO₂ em ar ambiente 98%, Tax 36,5 ºC. Está alerta, orientada e chorosa. Fundoscopia e exame neurológico sem anormalidades. Sem outras alterações ao exame físico. O eletrocardiograma e a radiografia do tórax não apresentam anormalidades. Exames de laboratório: Creat 0,5mg/dL, exame de urina; sem alterações. Após essas avaliações, assinale a conduta inicial MAIS ADEQUADA nesse caso.
PA elevada + sintomas inespecíficos + sem lesão órgão-alvo + estresse agudo → Urgência hipertensiva = Observação, ansiolítico, analgésico.
Este caso descreve uma urgência hipertensiva, onde a PA está elevada, mas não há sinais de lesão aguda de órgão-alvo. A cefaleia e a taquicardia podem ser exacerbadas pelo estresse do assalto. A conduta inicial deve focar em tranquilizar a paciente, aliviar os sintomas e observar a resposta, sem necessidade de redução agressiva da PA.
A crise hipertensiva é uma condição clínica que exige avaliação cuidadosa para diferenciar urgência de emergência. A urgência hipertensiva é caracterizada por elevações significativas da pressão arterial (PAS ≥180 mmHg e/ou PAD ≥110 mmHg) sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo. É comum que fatores como estresse emocional, dor ou ansiedade contribuam para essas elevações. Nesse cenário, a fisiopatologia envolve uma resposta adrenérgica exagerada, com aumento da liberação de catecolaminas. O diagnóstico é clínico, baseado na aferição da PA e na exclusão de lesões em órgãos como cérebro (sem déficits focais, fundoscopia normal), coração (sem isquemia, edema agudo), rins (função renal normal, sem hematúria) e grandes vasos. A história de uso irregular de anti-hipertensivos também é um fator contribuinte. A conduta inicial para uma urgência hipertensiva associada a estresse e sintomas inespecíficos (como cefaleia tensional) deve ser conservadora. Inclui observação na UPA, tranquilização do paciente, analgesia para a cefaleia e, se necessário, um benzodiazepínico para reduzir a ansiedade e a ativação simpática. O objetivo é uma redução gradual da PA em 24-48 horas, e não uma queda abrupta, que poderia levar à hipoperfusão. A reavaliação da adesão à medicação anti-hipertensiva é fundamental antes da alta.
O estresse agudo pode ativar o sistema nervoso simpático, levando à liberação de catecolaminas que causam vasoconstrição e aumento da frequência cardíaca, elevando temporariamente a pressão arterial em indivíduos suscetíveis ou hipertensos.
A avaliação da lesão de órgão-alvo é crucial para diferenciar urgência de emergência hipertensiva. A ausência de lesão aguda define a urgência, que permite um manejo mais conservador e gradual da PA, enquanto a presença de lesão exige intervenção imediata.
Benzodiazepínicos podem ser úteis em pacientes com PA elevada associada a ansiedade, estresse ou dor, pois ajudam a reduzir a ativação simpática e, consequentemente, a pressão arterial. Eles são parte do manejo sintomático em urgências hipertensivas.
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