HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2025
Um paciente de 31 anos de idade chegou ao pronto‑socorro com muita dor em fossa ilíaca direita. No exame físico, foi notada pressão arterial (PA) de 190 x 130 mmHg e Blumberg positivo. Na tomografia computadorizada sem contraste, foi constatado apêndice inflamado.Sobre a PA desse paciente, assinale a alternativa correta.
PA 190x130 mmHg com apendicite e sem lesão órgão-alvo → urgência hipertensiva + dor aguda.
Uma PA de 190x130 mmHg é um nível muito elevado, que excede o que a dor aguda por si só geralmente causa. A presença de apendicite aguda (Blumberg positivo e TC) indica uma condição que requer tratamento cirúrgico. A ausência de lesão de órgão-alvo agudamente progressiva classifica a hipertensão como urgência hipertensiva, que deve ser tratada gradualmente, enquanto a condição subjacente (apendicite) é abordada.
A avaliação de um paciente com dor aguda e hipertensão elevada no pronto-socorro exige um raciocínio clínico cuidadoso para diferenciar uma crise hipertensiva (urgência ou emergência) de uma elevação reativa da pressão arterial. A dor, ansiedade e estresse podem, de fato, causar um aumento da pressão arterial devido à ativação do sistema nervoso simpático. No entanto, é raro que a dor isoladamente eleve a PA a níveis tão extremos como 190x130 mmHg em um paciente previamente normotenso. Neste caso, a presença de apendicite aguda (Blumberg positivo e TC) é a condição primária que exige tratamento. A pressão arterial de 190x130 mmHg, na ausência de sinais de lesão aguda de órgão-alvo (como alterações neurológicas, edema pulmonar, insuficiência renal aguda), caracteriza uma urgência hipertensiva. O tratamento da urgência hipertensiva visa a redução gradual da PA em 24-48 horas, geralmente com medicação oral, para evitar hipoperfusão. A prioridade é resolver a causa da dor e da inflamação (apendicectomia), o que frequentemente contribui para a normalização da pressão arterial. A redução rápida da PA com medicamentos intravenosos seria apropriada apenas em uma emergência hipertensiva.
A urgência hipertensiva é definida por uma pressão arterial sistólica ≥ 180 mmHg ou diastólica ≥ 120 mmHg sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo. A emergência hipertensiva apresenta os mesmos níveis pressóricos, mas com evidência de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo (ex: encefalopatia, edema agudo de pulmão, dissecção aórtica).
Embora a dor aguda possa elevar a pressão arterial devido à ativação simpática, é incomum que atinja níveis tão extremos como 190x130 mmHg apenas pela dor. Níveis tão altos geralmente indicam uma hipertensão preexistente ou uma condição subjacente que exacerba a resposta pressórica à dor.
A prioridade é tratar a condição subjacente (apendicite, que requer cirurgia). A pressão arterial na urgência hipertensiva deve ser reduzida gradualmente ao longo de 24-48 horas com medicação oral, evitando quedas bruscas que podem causar hipoperfusão. O controle da dor também pode ajudar a reduzir a PA.
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