INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma mulher com 69 anos de idade, hipertensa, em uso de enalapril 40 mg/dia e de hidroclorotiazida 25 mg/dia, tem palpitações, tremores de membros superiores e dispneia que começaram há cerca de 30 minutos, logo após ter sido assaltada. Está orientada, corada, sem déficits motores focais, FC = 110 bpm, PA = 200 x 120 mmHg em membros superiores. Ausculta cardíaca: bulhas normofonéticas, ritmo regular em 2 tempos, sem sopros. Pulsos radiais e femorais amplos, bilateralmente, FR = 24 irpm, sem esforço respiratório. Ausculta pulmonar normal. Oximetria de pulso de 99 % (em ar ambiente). O eletrocardiograma mostra taquicardia sinusal e sinais de sobrecarga ventricular esquerda. A abordagem inicial adequada para essa paciente é administrar
Crise hipertensiva por estresse agudo sem dano em órgão-alvo → urgência hipertensiva, manejar com ansiolítico e observação.
Uma elevação acentuada da pressão arterial em contexto de estresse emocional agudo, sem evidência de dano agudo em órgão-alvo, configura uma urgência hipertensiva. A abordagem inicial deve focar em acalmar o paciente com ansiolíticos e observação em ambiente tranquilo, evitando reduções rápidas e agressivas da PA que podem ser prejudiciais.
As crises hipertensivas são elevações acentuadas da pressão arterial que podem ser classificadas como urgências ou emergências hipertensivas. A distinção é crucial para o manejo adequado e baseia-se na presença ou ausência de dano agudo em órgão-alvo. Em um contexto de estresse agudo, como um assalto, a ativação do sistema nervoso simpático pode levar a um aumento significativo da pressão arterial e da frequência cardíaca, resultando em sintomas como palpitações, tremores e dispneia. A fisiopatologia da hipertensão reativa ao estresse envolve a liberação de catecolaminas, que causam vasoconstrição e aumento do débito cardíaco. Nesses casos, a elevação da PA é frequentemente transitória e não indica uma emergência hipertensiva se não houver sinais de dano agudo em órgãos como cérebro (déficits focais), coração (isquemia aguda), rins ou pulmões (edema agudo). O eletrocardiograma pode mostrar taquicardia sinusal e sinais de sobrecarga ventricular esquerda crônica, mas não necessariamente isquemia aguda. O tratamento de uma urgência hipertensiva, especialmente quando associada a estresse e ansiedade, deve ser cauteloso. O objetivo é uma redução gradual da PA em horas, não minutos, para evitar hipoperfusão. A abordagem inicial adequada inclui medidas não farmacológicas (ambiente tranquilo) e, se necessário, ansiolíticos orais para reduzir a ativação simpática. Medicamentos anti-hipertensivos orais de ação mais lenta podem ser usados, mas a nifedipina de liberação rápida é contraindicada devido ao risco de queda súbita da PA e eventos isquêmicos reflexos.
A urgência hipertensiva é caracterizada por elevação grave da pressão arterial (PA ≥ 180/120 mmHg) sem evidência de dano agudo em órgão-alvo. A emergência hipertensiva, por sua vez, apresenta a mesma elevação da PA, mas com sinais de dano agudo em órgãos como cérebro, coração, rins ou retina, exigindo redução imediata da PA.
A conduta inicial para uma urgência hipertensiva, especialmente em um paciente ansioso ou sob estresse agudo, é acalmar o paciente, fornecer um ansiolítico oral (se indicado) e mantê-lo em observação em um ambiente tranquilo. A reavaliação da PA deve ser feita em 30 a 60 minutos, buscando uma redução gradual.
A nifedipina de liberação rápida pode causar uma queda abrupta e descontrolada da pressão arterial, levando a isquemia cerebral, miocárdica ou renal devido à hipoperfusão. Além disso, pode ativar o sistema nervoso simpático, causando taquicardia reflexa e aumentando o risco cardiovascular.
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