TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Homem, 34 anos, procura atendimento com queixa de ardência e secreção uretral há 4 dias. Refere relação sexual desprotegida uma semana antes. Ao exame físico: lintonodos pequenos, indolores e de aspecto normal em cadeias inguinais bilateralmente. Secreção uretral mucoide, levemente amarelada. Considerando que não há disponibilidade de testes microbiológicos na unidade de atendimento, o tratamento mais adequado é:
Corrimento uretral → Tratar Gonococo + Clamídia simultaneamente (Abordagem Sindrômica).
Na ausência de exames laboratoriais, o protocolo de abordagem sindrômica exige o tratamento empírico para os dois principais agentes causadores de uretrite.
As uretrites são classificadas em gonocócicas e não-gonocócicas. A abordagem sindrômica é uma estratégia da OMS adotada pelo Brasil para o controle de ISTs em locais com pouca infraestrutura laboratorial. Ela permite o início imediato do tratamento, interrompendo a cadeia de transmissão. O quadro clínico de ardência miccional e secreção uretral, após período de incubação compatível com relação sexual desprotegida, é altamente sugestivo. A escolha terapêutica deve cobrir o gonococo (diplococo gram-negativo) e a clamídia (bactéria intracelular obrigatória). Embora a resistência à ciprofloxacina esteja aumentando globalmente, em contextos de prova de residência, ela ainda aparece frequentemente associada à azitromicina para cobertura de ambos os patógenos.
A abordagem sindrômica visa tratar as causas mais prováveis de um sintoma sem esperar por exames. No caso do corrimento uretral, o protocolo foca na Neisseria gonorrhoeae (gonococo) e na Chlamydia trachomatis (clamídia). Historicamente, utilizava-se Ciprofloxacina para o gonococo e Azitromicina para a clamídia. Atualmente, devido à resistência, o Ministério da Saúde recomenda Ceftriaxone (IM) associado à Azitromicina (VO), mas em provas que não disponibilizam Ceftriaxone nas opções, a combinação Cipro+Azitro é a resposta clássica.
Embora o corrimento purulento seja clássico da gonorreia e o mucoide da clamídia, a distinção clínica é pouco confiável e a taxa de coinfecção é extremamente alta (até 30-50%). Tratar ambos simultaneamente garante a cura epidemiológica, previne complicações como epididimite e reduz a transmissão na cadeia sexual, sendo o padrão-ouro na saúde pública.
Além da prescrição medicamentosa, é crucial orientar a abstinência sexual por pelo menos 7 dias após o tratamento, a convocação e tratamento de todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias e o rastreio para outras ISTs, como HIV, Sífilis e Hepatites B e C. O paciente deve ser orientado sobre o uso de preservativos para prevenir reinfecções.
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