SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Considere o caso clínico “Edmilson e Iraneide” abaixo para responder a questão.Durante seu turno de atendimento médico de demanda programada na sua UBS, a agente comunitária de saúde Edinancir, de uma de suas microáreas, vem falar com você. Edinancir pede que você abra uma vaga de atendimento extra, porque ela conseguiu convencer Edmilson a voltar para o Posto para reiniciar o tratamento de Tuberculose Pulmonar. Edmilson tem 30 anos, é auxiliar de pedreiro e solteiro. Ele é tabagista e também etilista diário, mas está motivado a mudar depois que conheceu Iraneide, há um mês. Edmilson abandonou um tratamento prévio de Tuberculose há 02 anos, após quatro meses de tratamento. Edmilson passou um ano e meio assintomático, mas há 06 meses as tosses voltaram e há 02 meses passou a ter episódios de febre. Você consulta Edmilson, solicita a baciloscopia de escarro, prescreve a RHZE para começar no dia seguinte, após a segunda coleta de escarro. Considerando o abandono prévio, você solicita um retorno quinzenal nos primeiros dois meses de tratamento.Em uma de suas consultas com Edmilson, ele pergunta se pode conversar sobre outro problema. Considerando o cuidado integral, você explora essa nova demanda. Edmilson relata que namora Iraneide há três meses, e estava tudo bem, porém sua ex-namorada o procurou há 1 semana, e ele acabou se relacionando sexualmente com a mesma. Desde então, evoluiu com corrimento uretral. Relata ainda que nesse período, não teve relação sexual com Iraneide. Você orienta quanto ao diagnóstico e riscos e Edmilson indaga sobre o tratamento. Assinale a alternativa com a opção terapêutica adequada.
Corrimento uretral pós-sexo desprotegido → tratar empiricamente gonorreia + clamídia: Ceftriaxona + Azitromicina.
Em casos de corrimento uretral masculino após relação sexual desprotegida, o tratamento empírico deve cobrir os agentes etiológicos mais comuns: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. A combinação de Ceftriaxona (para gonorreia) e Azitromicina (para clamídia) é a terapia de escolha recomendada pelas diretrizes, garantindo ampla cobertura e alta taxa de cura.
O corrimento uretral masculino é um sintoma comum de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e representa um desafio importante na saúde pública. A epidemiologia mostra que a uretrite gonocócica e a uretrite não gonocócica (principalmente por Chlamydia trachomatis) são as causas mais frequentes. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico e tratamento rápidos e eficazes para prevenir complicações graves no paciente e a transmissão para parceiros sexuais, além de contribuir para o controle da resistência antimicrobiana. A fisiopatologia envolve a infecção da uretra por bactérias transmitidas sexualmente, levando a um processo inflamatório que resulta em secreção purulenta ou mucopurulenta. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na presença de corrimento uretral e história de relação sexual desprotegida. Embora exames laboratoriais como coloração de Gram da secreção uretral e testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs) sejam importantes para a identificação do agente etiológico, o tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a avaliação clínica, sem aguardar os resultados, devido à alta prevalência de coinfecção e à urgência do manejo. O tratamento recomendado para uretrite empírica, cobrindo tanto N. gonorrhoeae quanto C. trachomatis, é a combinação de Ceftriaxona (500 mg IM em dose única) e Azitromicina (1 g VO em dose única, ou Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 7 dias como alternativa para clamídia). O prognóstico é geralmente excelente com o tratamento adequado, mas a adesão e o tratamento dos parceiros sexuais são cruciais para evitar reinfecções e a disseminação da doença. Para residentes, é fundamental dominar o manejo sindrômico das DSTs e a importância do aconselhamento sobre sexo seguro e testagem para outras infecções.
Os principais agentes etiológicos são Neisseria gonorrhoeae, causando uretrite gonocócica, e Chlamydia trachomatis, responsável pela maioria dos casos de uretrite não gonocócica. Outros agentes menos comuns incluem Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis.
O tratamento empírico combinado é recomendado devido à alta taxa de coinfecção por N. gonorrhoeae e C. trachomatis. Tratar ambos os patógenos simultaneamente aumenta a eficácia do tratamento, previne a disseminação da infecção e reduz o risco de complicações tanto para o paciente quanto para seus parceiros sexuais.
Se não tratada, a uretrite pode levar a complicações como epididimite, prostatite, infertilidade e estenose uretral. Além disso, aumenta o risco de transmissão de outras DSTs, incluindo o HIV, e pode causar infecções em parceiras sexuais, como doença inflamatória pélvica.
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