Ureterolitíase Obstrutiva: Diagnóstico e Sinais Chave

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 32 anos procura atendimento médico devido a dor abdominal de forte intensidade, de início há aproximadamente 3 dias com piora nas últimas horas. Relata que a dor inicia-se em dorso, a direita, irradia para a fossa ilíaca direita, e é associada a episódios de vômito e sudorese nos períodos mais intensos. Nega febre. Nega trauma. Relata que a dor é associada a hiporexia e disúria. Mantém diurese espontânea. Tem antecedentes de cirurgia na infância devido a tumor de Wilms. Nega outras comorbidades. Ao exame físico: regular estado geral, fáscies de dor, corado, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos, flácido, depressível, sem sinais de irritação peritoneal, mais doloroso à palpação de fossa ilíaca direita, com punho percussão negativa das lojas renais. Durante a investigação realizou exames séricos que evidenciaram leucocitose: 16.000/mm³ (VR: 4.000-10.000/mm³), creatinina: 3,5mg/dl (VR: 0,7-1,3mg/dl), ureia: 115 mg/dl (VR: 13-43 mg/dl), proteína C reativa: 59 mg/dl (VR: < 1mg/dl). Foi realizado também o exame de imagem abaixo, sem contraste endovenoso. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda.
  2. B) Ureterolitíase obstrutiva.
  3. C) Nefrolitíase.
  4. D) Pancreatite aguda.

Pérola Clínica

Dor lombar/flanco irradiando para FID + disúria + ↑ creatinina/ureia + leucocitose → Ureterolitíase obstrutiva.

Resumo-Chave

A ureterolitíase obstrutiva é caracterizada por dor intensa no flanco ou dorso que irradia para a fossa ilíaca ou região inguinal, frequentemente associada a sintomas urinários como disúria e sintomas gastrointestinais como náuseas e vômitos. A elevação da creatinina e ureia indica comprometimento da função renal devido à obstrução, mesmo com punho percussão renal negativa.

Contexto Educacional

A ureterolitíase obstrutiva é uma condição comum e dolorosa que se manifesta como cólica renal, uma das dores mais intensas que um paciente pode experimentar. A epidemiologia mostra uma prevalência crescente, afetando indivíduos de diversas idades, com pico entre 30 e 50 anos. A importância clínica reside na necessidade de alívio da dor e na prevenção de complicações graves, como infecção urinária e insuficiência renal aguda. A fisiopatologia envolve a migração de um cálculo renal para o ureter, causando obstrução e distensão do sistema coletor, o que gera a dor característica. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e exames complementares. A dor lombar ou no flanco com irradiação para a fossa ilíaca, associada a disúria, náuseas e vômitos, é altamente sugestiva. Laboratorialmente, pode haver leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios, além de elevação da creatinina e ureia em casos de obstrução significativa ou bilateral. A punho percussão renal negativa não exclui o diagnóstico, pois a dor pode ser mais referida. O tratamento inicial foca no controle da dor e na avaliação da necessidade de desobstrução. A maioria dos cálculos pequenos (<5mm) pode ser eliminada espontaneamente. Cálculos maiores ou aqueles associados a infecção, insuficiência renal ou dor refratária requerem intervenção urológica. A tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico por imagem. O histórico de tumor de Wilms, embora relevante para a saúde geral do paciente, é um distrator para a condição aguda apresentada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da ureterolitíase obstrutiva?

Os sintomas clássicos incluem dor súbita e intensa no flanco ou dorso, que pode irradiar para a virilha, fossa ilíaca ou genitália. Frequentemente, é acompanhada por náuseas, vômitos, sudorese, disúria e hematúria microscópica ou macroscópica.

Como a ureterolitíase pode causar elevação da creatinina e ureia?

A elevação da creatinina e ureia ocorre quando há uma obstrução significativa ao fluxo urinário, especialmente se for bilateral ou em rim único, levando a uma insuficiência renal aguda pós-renal. A obstrução impede a filtração e excreção adequadas dos produtos metabólicos.

Qual o papel da tomografia computadorizada sem contraste no diagnóstico de ureterolitíase?

A tomografia computadorizada sem contraste é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico de ureterolitíase, pois possui alta sensibilidade e especificidade para detectar cálculos urinários, determinar seu tamanho e localização, e identificar sinais de obstrução e hidronefrose.

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