IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021
Paciente mulher de 25 anos com quadro de dor abdominal há cerca de 6 horas, iniciado em flanco direito e agora em fossa ilíaca direita. Episódio de vômitos associado no início do quadro. Nega passado mórbido e data da última menstruação há 20 dias. Não usa qualquer medicamento e tem relação protegida com seu namorado. Ao exame, dor importante em FID irradiado para raiz da coxa e vagina. Sem irritação peritoneal neste momento. Exames mostraram: Hemograma: Leucócitos: 12.300/µL (S 75% B 4% M 15%), Hb: 14g/dl, plaquetas: 150.000. Amilase: 90U/L (VR 20-110 U/L) BHCG: negativo; Urina rotina: piócitos: 2p/c; hemácias 50p/c; nitrito negativo; flora normal; RX tórax PA (ortostatismo): normal; RX abdome ortostatismo e decúbito a seguir: Considerando o caso descrito, é CORRETO afirmar que:
Dor em FID irradiada para coxa/vagina + hematúria microscópica + BHCG negativo → forte suspeita de ureterolitíase direita.
Em mulher jovem com dor em fossa ilíaca direita que irradia para coxa/vagina, associada a hematúria microscópica na urina e BHCG negativo, a ureterolitíase direita é um diagnóstico altamente provável, mesmo que o cálculo não seja visível no RX simples.
A dor abdominal em fossa ilíaca direita (FID) em mulheres jovens é um desafio diagnóstico devido à ampla gama de condições que podem mimetizar umas às outras, abrangendo sistemas gastrointestinal, geniturinário e ginecológico. A anamnese detalhada e o exame físico são cruciais, mas exames complementares são frequentemente necessários para firmar o diagnóstico. No caso apresentado, a dor que se iniciou em flanco direito e migrou para FID, com irradiação para raiz da coxa e vagina, é um padrão clássico de dor referida de origem ureteral. A presença de hemácias na urina (50 p/c) e piócitos (2 p/c), com nitrito negativo e BHCG negativo, reforça a suspeita de ureterolitíase direita. A leucocitose discreta (12.300/µL) pode ser inespecífica ou indicar um processo inflamatório associado. Embora a apendicite aguda seja uma consideração importante para dor em FID, a irradiação para coxa/vagina e a hematúria são menos típicas. A gravidez ectópica é descartada pelo BHCG negativo. A ausência de irritação peritoneal e a amilase normal afastam úlcera perfurada ou pancreatite. A ureterolitíase, mesmo sem visualização do cálculo no RX simples (que tem baixa sensibilidade para muitos tipos de cálculos), é o diagnóstico mais provável com base nos achados clínicos e laboratoriais. A tomografia computadorizada sem contraste seria o próximo passo para confirmação.
Os principais diagnósticos incluem apendicite aguda, ureterolitíase, gravidez ectópica (se BHCG positivo), doença inflamatória pélvica, cisto ovariano torcido ou roto, e diverticulite (menos comum em jovens).
A ureterolitíase tipicamente causa dor súbita e intensa em flanco, que pode irradiar para a virilha, coxa ou genitália. A urinálise frequentemente revela hematúria microscópica ou macroscópica, e pode haver piúria estéril.
O RX de abdome simples tem baixa sensibilidade para cálculos renais, especialmente os não-radiopacos (como os de ácido úrico). A tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico de ureterolitíase.
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